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O caldo na saída da balada!


A mania de tomar caldos após as baladas vem de longe.
Mesmo São Luís sendo uma terra quente, com temperaturas que ultrapassam facilmente os 30 graus, tomar caldos nada tem a ver com o fato da iguaria aquecer o corpo e sim, à possibilidade de recompor as energias e preparar o corpo para outras e outras festas.
Ludovicense adora diversão, aprecia sair e se divertir, mas a festa só está completa quando na volta pra casa dá pra parar e tomar um “caldinho”. Assim, o corpo se fortalece e se prepara para uma provável ressaca da melhor maneira possível.
Muito antes de a cidade oferecer aos seus cidadãos várias “casas de caldo”, eu já tomava caldinhos na casa da mamãe para repor as energias e expulsar a preguiça.
Lembro que aos domingos já acordávamos com o cheirinho vindo da cozinha. A mamãe sempre acordou mais cedo para deixar tudo pronto. Aos poucos os amigos iam chegando para aproveitar a iguaria feita com muito carinho e sabor. A “suadeira” era inevitável, assim como as cervejinhas após tudo isso.
Os caldos mais famosos lá em casa sempre foram o de mocotó, peixe, sururu e o de ovos. Esse, um verdadeiro clássico maranhense! Todos os sabores feitos pela mamãe, com altíssimo grau de delícia, é claro!
A culinária maranhense, muito variada, tem em seu DNA muitos pratos ensopados, cozidos e guisados, o que reflete a diversidade das nossas influências étnicas.
As casas especializadas em caldos oferecem em seus menus muitos sabores ludovicenses. Além dos comuns lá em casa e já citados, existem outras combinações de sucesso como o caldo de sarnambi (marisco muito consumido em São Luís e em locais praianos, conhecido no mundo gourmet como amêijoa ou vôngole), de legumes, caldo verde, de camarão, de caranguejo e as misturas de vários desses juntos, dependendo do seu estômago e da sua vontade.
Os ensopados trazem consigo as referências antigas do poder curativo e de recuperação do corpo. Quem nunca, durante uma doença, não obedeceu a mãe ou a avó e tomou uma canjinha de galinha para que o corpo pudesse se restabelecer? Vem daí a nossa cultura de depois da “cachaça” tomar um caldo para ficar em pé e por isso mesmo, já está sacramentado: saindo das farras, tem que tomar um caldinho para poder dormir com o estômago forrado e acordar bem.
Em um passado recente, fui a uma famosa casa de caldos da cidade e pedi um caldo de sururu. A decepção foi enorme! Além do atendimento sofrível que é recorrente, o caldo tinha gosto de amido de milho e farinha seca. Sururu que é bom, necas. Mesmo sem desculpa plausível, imagino que os caldos ficam congelados e por muito tempo guardados, sendo aquecidos a cada pedido.

Numa outra viagem, também recente, fui a duas outras casas de caldo e em ambas, os caldos estavam bons, mas ainda assim, minhas expectativas ficaram frustradas, pois com o histórico familiar e com uma mãe especialista em “caldinhos cura-ressaca”, fica muito difícil achar outros que possam concorrer! J

Jornal Cazumbá, novembro de 2014.

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