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Sampaio Corrêa: paixão e turismo


Tudo começou quando certa vez no ônibus Popular Ipase, vindo da Praça Deodoro para a Cohab, tive o prazer de sentar ao lado de um senhorzinho que escutava sem parar o hino do Sampaio num radinho de pilhas colado ao pé do ouvido.
Nessa época, São Luís tinha vida futebolística própria e conversávamos sobre os times do nosso estado e estados vizinhos. Expressinho, Tupã, Ferroviária, MAC, Moto e Sampaio eram times que permeavam meu imaginário. Os clássicos tanto aconteciam no Castelão quanto no Nhozinho Santos.
Os homens da minha casa torciam pelo Moto Clube, mas eu sempre gostei do hino do Sampaio, desde aquele senhorzinho...

Um tempo depois, conheci o Sr. Agostinho dos Reis, um dos autores do famoso hino e embora não fosse muito próxima a ele, foi a primeira pessoa importante que eu conheci de perto. Com esse currículo, eu o considerava uma pessoa de destaque na cidade, afinal, escrever hinos de times não é para qualquer um, ou pelo menos naquela época, eu pensava que não era.
Fui gostando do Sampaio Corrêa embasada nas conversas dos mais velhos, na movimentação das ruas, por essa simpatia que tive pelo Seu Agostinho e pelo colorido das cores da camisa tricolor, que cá pra nós, combina muito com o clima festivo de São Luís.

Como num piscar de olhos, o futebol do Maranhão adoeceu. Os times foram sendo esquecidos pelos investidores e consequentemente pelos seus torcedores, como num paradoxo cruel e frio.
A Globo já se intrometia em nossas casas há muito tempo e transmitia novelas, cenas da vida cotidiana de cidades grandes e como detentora das transmissões do futebol há décadas, introduziu também os jogos de futebol dos times do eixo Rio-São Paulo, com destaque para os times cariocas. E assim, os maranhenses foram crescendo e se tornando torcedores fanáticos por times que não eram do Maranhão. Eis uma das explicações possíveis pela razão de existirem tantos maranhenses torcedores de times cariocas ou paulistas, fato que sempre contestei e esbravejei.

Nas minhas turmas do Curso de Turismo (sim, fui muitos anos professora do Curso de Turismo em São Luís), era muito contestada quando falava do futebol maranhense. Como assim uma mulher falando de futebol? Mas até que ao final de toda minha jornada de aulas, consegui alguns seguidores e simpatizantes, não como uma conhecedora técnica de futebol, que não sou, mas como defensora da nossa cultura e obviamente do que é nosso!

No dia exato que conheci o meu atual marido e falei que era do Maranhão, ele logo perguntou se eu torcia pelo Sampaio Corrêa e falou do Juca Baleia, goleiro maranhense famoso por seus quilinhos a mais, que entrou na vida do Maridão num épico jogo em 1992 da Copa do Brasil em que o Sampaio jogou contra o Palmeiras. Desse dia até o primeiro presente que providenciei, foi rápido: uma camisa do Sampaio comprada na Magalhães de Almeida, é claro!

E assim como o futebol de São Luís sumiu, o Sampaio Corrêa de repente renasceu como uma fênix, embora eu só esteja acompanhando pelas redes sociais, afinal moro em São Paulo há três anos e meio.
Mais do que de repente, quase todas as pessoas da minha timeline são Bolivianas! Comecei a ver amigas que nunca se interessaram por futebol irem ao Castelão prestigiar um time nosso. Acompanhei amigos que viraram torcedores fanáticos de um dia para o outro. Vi torcendo juntos flamenguistas, vascaínos, corintianos, palmeirenses e pasmem, até alguns motenses viraram a casaca!

Os investimentos feitos especificamente no Sampaio e não necessariamente em todo o futebol ludovicense, não está em discussão neste texto. Esse é um aspecto com muitas variantes e não tenho informações suficientes para me aprofundar, mas uma coisa eu posso abordar com muito otimismo: o Sampaio se tornou a maior promotor do nome do Maranhão nos últimos meses.
O resgate da autoestima, sempre tão abalada em São Luís, foi conseguido. Vi por muitas vezes o amor a nossa camisa ser exaltado por amigos e grupos de discussão on line. Torcer e defender o que é nosso é algo que o ludovicense não fazia há muito tempo. Não copiar e não exaltar o que vem de fora é um grande ganho para todos nós.
As transmissões pela TV geram renda, público, audiência e consequentemente mais promoção. Na série C, a coisa tem melhorado consideravelmente e as transmissões para todo o Brasil levaram o nome do Maranhão e de São Luís de forma muito positiva aos quatro cantos do país. Dava gosto ouvir os narradores falando da história de São Luís e das cidades que ficam nos arredores da capital do estado. Isso não tem preço!
A cadeia associada ao turismo também ganhou novo fôlego com tamanha euforia. O ganho é tanto para o vendedor de água na porta do estádio quanto para a cadeia hoteleira da cidade que recebe torcedores e visitantes para os jogos. Não é esse o princípio da Copa do Mundo? Não é por isso que países gastam milhões na disputa para sediarem os famosos jogos?

Fico muito feliz em ver o entusiasmo de grande parte da população maranhense. Falei com amigos e pelo que pude captar, a cidade está em festa e parece final de Copa do mundo com o Brasil disputando a taça. Falemos a verdade: nem nas comemorações dos 400 anos se São Luís se viu nada parecido! Quando São Luís ou o Maranhão são temas de sambas de enredo na Marquês de Sapucaí, quantos ludovicenses se juntam para torcer? Qual o alcance do nome da nossa cidade pelo Brasil a fora?
Promoção turística como nunca se viu, onde todos os maranhenses ganham! Parabéns Bolívia querida e que essa nova fase se mantenha por muito tempo no coração de todos os maranhenses e com a mesma empolgação. Talvez agora o futebol maranhense volte a ter o brilho de outrora e eu não fique mais no romantismo de antigamente.

Apitos finais:
Agora, escrevendo esse texto, o Sampaio Correa acabou de garantir seu acesso à Serie B do Campeonato Brasileiro (Chupa Moto!!!) e embora eu ainda não o considere na elite do futebol, como alguns andam falando, admito ser um patamar que eu nunca pude presenciar.

O Maridão já tem três camisas do Sampaio. Em nossa última visita à São Luís, compramos mais uma para um amigo paulistano colecionador de camisas de futebol, que ainda vai assistir alguns joguinhos conosco na torcida boliviana, é óbvio!

UP DATE:
O amigo paulistano colecionador de camisas de futebol é esse aqui embaixo: Rapha, amigo querido, corintiano, que sabe tudo de tudo de futebol, natação, basquete, atletismo, vôlei, etc...


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