segunda-feira, 17 de junho de 2013

Portugal - coisas que comi, bebi e vi!



Não há viagens sem comidas e bebidas!
A cultura gastronômica de um lugar traduz exatamente as influências de sua gente. Diz muito sobre os costumes, sobre o passado e até sobre o futuro.
O que você come, faz parte da memória da viagem, tanto quanto as atrações turísticas, propriamente ditas.

Portugal, como era de se esperar, é um lugar para se comer bem.
Com uma dieta mediterrânea, o país é sinônimo de peripécias culinárias e de escapadelas dos regimes.
As comidas são bem temperadas, tem sabor forte e possuem a marca de misturar carnes de vaca ou porco, com frutos do mar.
Os menus esbanjam peixes, mariscos e carne de porco, como falei. Os jantares que tive a oportunidade de participar eram uma pintura aos olhos. Tudo sempre bem decorado, com muita pompa e com misturas desafiadoras!
Gostei bem de tudo que foi servido para nós, enquanto estava trabalhando e também tudo aquilo que consegui comer nas horas vagas ou mesmo quando fui passear.
O bacalhau é de fato, uma comida muito apreciada. É relativamente barato para os portugueses e é feito de diversas formas, sendo o "com natas" um dos mais comuns em Lisboa.
A alheira, outra iguaria que adoro, também é fácil encontrar. Não costuma ser cara.
E por fim, em diversos pratos, pude perceber a presença do coentro, muito apreciado por lá, mas não muito pelos brasileiros não-nordestinos.

Os doces, esses sim, um tanto exagerados em sua composição! 
Tudo tem muito ovo, muito, muito e muito açúcar. Comi até o terceiro dia sem cerimônia. Nos dias seguintes, comi com ressalvas e nos últimos, bem, eu beliscava e a consciência pééémmmmm, apitava!
Além da dupla ovo-açúcar, as amêndoas  e as natas compõem a maioria dos doces.

O Pastel de Belém registradinho e famoso no mundo todo não deu para provar. Esse fica para uma próxima.
No tempo que tive para visitar a pastelaria, a fila estava gigantesca. Há uma número curioso e muito consolidado na cidade: são vendidos cerca de 20 mil pasteis de belém por dia e apenas 5 pasteleiros sabem a receita secular. (Por esses números já dá pra entender que não deu mesmo para esperar a mega fila...)

[Nota: Pastel de Belém é uma marca registrada. A receita foi criada desde o início do século XIX, mas difundida à partir de 1837 por mestres pasteleiros que foram passando de geração a geração os segredos do pastel. A pastelaria oficial é até hoje bem próximo ao Mosteiro dos Jerônimos, como quando surgiu. É uma graça, super bonita e limpa. Os pasteis vendidos na cidade que seguem a mesma receita são chamados de pasteis de nata. Os de Belém são apenas os com registro.]

A sorte de quem não tem muito tempo, é que a cidade é cheia de docerias que vendem o pastel de nata e nesse quesito eu posso dizer que tive uma certa experiência, comendo um aqui e outro ali.

As bebidas, bem... são várias, com destaque para os vinhos verdes, super refrescantes e para a Ginginha, bebida típica local, que proporciona uma experiência muito bacana.
Fui levada para tomar Ginginha, assim que cheguei em Lisboa, por uma brasileira com larga experiência em Portugal e com larga experiência em Ginginha, olhem que maravilha! Aprendi que tomar ginginha é obrigatório e que você deve pedir "com elas", ou seja, você pede uma dose e vem umas duas ginjas no seu copo. Ginja é uma fruta prima da cereja, só que um pouco mais amarga. 
Para tomar a Ginginha mais famosa (também registrada), as filas fazem parte do programa, é claro.

Sobre cervejas, experimentei as duas principais: Sagres e Super bock.
Gostei mais da Sagres, embora eu considere as cervejas de lá mais fortinhas que as de cá.
Não sei se no fundo gostei mais da Sagres pela empatia com o nome, mas a Super Bock também agrada quem aprecia bebidas com lúpulo. 

[Nota2: só eu lembro da grande escola portuguesa que treinava os navegadores portugueses, chamada Escola de Sagres?]



Essa foto traduz muito o período da viagem. Nessa época é comum serem servidos caracois em todos os bares, lanchonetes e restaurantes. Placas lindas e divertidas como essa são comuns pela cidade.
Não, não comi caracois!

Essa é a Ginginha com registro e por isso mesmo, com receita secular. O ritual de bebê-la em pé ou mesmo sentada em banquinhos na praça é uma delícia. Não poderia vir sem trazer uma dessas.

Comidas quase prontas são vendidas pelos bares e restaurantes em Lisboa, assim, nas vitrines. Você olha, simpatiza e pede para prepararem na hora.


Como tem pastelaria e docerias em Lisboa! Pra todo lado que se anda, você se depara com belezuras gastronômicas desse tipo. Uma tortura a cada esquina.


Coca-cola sem cafeína foi demais pra mim e o Leite meio gordo, que quer dizer semi desnatado também foi um aviso e tanto!





Já tinha desistido de comer comidinhas da madrugada, sabem? Todas as refeições possuem rituais, vem com vinho e todo um aparato junto. É preciso ter tempo.
Mas achamos uma lanchonetinha no bairro alto que vende lanches rápidos, além de caracois, é óbvio! Esse aqui chama prego no pão, ou seja, bife de carne de vaca no pão!

Uma das coisas que mais amo na vida são as palavras, os nomes e os termos que traduzem os objetos. Analiso as palavras quase sempre, mas para consumo próprio mesmo. Essa delícia da foto, que foi sugestão do meu chefe (lisboeta de nascença), chama Cataplana de Peixes. Não é lindo o nome? Não é poético?  Depois de provar, amei mais ainda.
Como nordestina que sou, acho que trocaria as batatas que vem como acompanhamento por farinha, rá!

Caixa de gambas foi sugestão de um amigo. Para acompanhar uma cervejinha, não tem igual!

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