sábado, 2 de março de 2013

Sufocada

Entrei na farmácia na tentativa de passar o tempo lendo rótulos e descobrindo novidades do mundo da beleza entre dois compromissos.
Entrei e fui imediatamente abordada por uma demonstradora de produtos da marca "X".
Falei que não, não estava à procura de nada específico.
- Mas se você conhecer os xampus, vai se interessar.
- Não, mas não quero nada não, muito obrigada.
- Eles são sem sal, tem um efeito especial para cobrir cabelos brancos, são profissionais e estão há dez anos no mercado.
- Não, muito obrigada.
- O preço deles é bastante acessível. Você pode pagar no cartão parcelado...
- Muito obrigada, mas não tenho interesse.
Irritada, mudei de gôndola e fui com os olhos em direção a novos xampus.
- A senhora conhece esse creme de pentear com óleo de Argan? Disse uma outra demonstradora.
- Muito obrigada, mas não estou procurando nada especial. Estou até com pressa...
- Mas seu cabelo tá precisando, está um pouco opaco.
Agradeci, fiquei com vontade de dar uma bifa nela e saí sem ter conseguido ver nada.

***
- Amor, vamos passar na Drogaria para comprar uns remédios que não consegui comprar naquela farmácia da Paulista?
- Sim, no caminho para o clube passamos lá.
Pensamos em entrar e sem nem por os segundos pés dentro da farmácia, vem uma moçoila com uma cestinha.
- Posso ajudar? Procurando alguma coisa específica?
Nos entreolhamos e deve ter rolado um bico torto da minha parte.
- Não, vamos só dar uma olhada em umas coisas, obrigada.
Atravessamos o corredor meio confusos e totalmente sufocados com tanta presteza.
Porque não se pode mais entrar numa loja e ficar em paz, ler rótulos, respirar, andar, comparar? Discutíamos os dois.
Fizemos a bobagem de parar em frente a uns sabonetes de uma nova marca e eis que vem outra atendente.
- Os senhores já tem o cartão da loja?
- Já, muito obrigada.
Saímos sem comprar nada. Hunf!

***
- Olha amor, aquela camisa tá linda, né? Você não tem nada parecido.
- É. Gostei...
- Vamos entrar e ver se fica bem.

- Já foram atendidos?
- Queremos ver aquela camisa da vitrine.
- Aqui. Pode experimentar, viu?
Voltamos do provador e nos dirigimos ao caixa.
- Não quer ver camiseta?
- Não, obrigada.
- As camisetas estão R$ 49,90, pode parcelar no cartão.
- Não, muito obrigada. Um sorriso.
- As calças estão em promoção. Vestem super bem.
- Não obrigada.
- Tem roupas femininas, muita coisa em promoção também.
- Obrigada.
- E gravata?
- Não!
No caixa, quase pagando, vejo um cesto de palha com meias e mostro com os olhos para o maridão discretamente.
- Olha, essas meias são ótimas. Não querem levar?
Como assim, ela me viu mostrando com o olhar?
- Não moça, muito obrigada. Sem sorrisos.

Vamos rápido amor!

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