sexta-feira, 22 de março de 2013

Mocotó, vontade que dá.


Comer um mocotó agora com muita pimenta e limão.
Foi assim que me permiti sonhar há alguns poucos minutos...
A vontade veio temperada com aquela fome tão comum que chega antes da hora do almoço e nos deixa meio zonzos.
Não, não é uma comida fácil aos olhos de muitos.
Imagina você em sã consciência pensar que buchos, tripas e todos os "fatos" do boi podem ser consumidos cozidos e com bastante molho? Claro que não! É preciso muito delírio pra imaginar que algo assim possa ficar palatável.
A bem da verdade, quando foi inventado, não tinha a obrigação de ficar gostoso, era mesmo pra matar a forme de muitos que não tinham dinheiro para comer as partes nobres do boi.
O adjetivo gostoso veio com o tempo, com a inclusão de temperos e aprimoramento nas técnicas de cocção.
Mas é sempre em momentos de muita privação que surgem ideias ótimas e o mocotó surgiu, para alegria de uns, para matar a fome de alguns e para o bico torcido de tantos outros.

Como hoje é sexta, me dei ao luxo de fechar os olhos e ver uma mesa com toalha de plástico, um prato de mocotó quentinho (saindo fumaça  de tão quente), uma cumbuca de farinha d'água ao lado e um pires com pimenta, numa harmonia perfeita, que traduz de forma fidedigna os moldes alimentares da minha gente.

O mocotó e a farinha juntos, formam uma argamassa capaz de permanecer dentro de você por semanas. Uma coisa fora da realidade de qualquer dieta saudável.
A gordura que fica em seus órgãos vitais é tanta, que basta deixar o prato de mocotó por 15 minutos ao vento para ver a gordura congelando e ficando espessa como um toucinho. 
Sempre que comia em São Luís, usava a estratégia de lavar o prato logo depois de comer ou mesmo de não  ver os pratos empilhados na pia, para não ter que comprovar a irracionalidade que tinha acabado de fazer, vendo as crosta de gordura ao redor dos pratos.
Não, não é uma comida fácil.
É preciso ter estômago.
É preciso ter nascido em uma casa que tem no prato, um dos seus pontos fortes.
É para poucos e para os ousados, gastronomicamente falando...

Mas quem liga para as regras de uma dieta ou para a tal racionalidade, numa sexta-feira, estando há 3000 km de distância de um prato de mocotó da mãe? E se tiver uma cervejinha gelada para acompanhar?
Melhor ainda...

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