Pular para o conteúdo principal

Com olhos de aprendiz

 

Quando eu ouvia sobre o termo "período sabático", tinha a ideia do que poderia ser, mas pensava que era coisa só para ricos, já que o termo refere-se a auto-conhecimento, imersão, qualificação, etc.
Na minha cabeça, somente ricos, poderiam dar um tempo do  trabalho e ficar pensando um pouco na vida.

Mas, de repente, me vi obrigada a ficar em casa, já que fui dispensada do meu antigo emprego. E sem mais nem menos, tive algumas semanas à minha frente disponíveis para tudo o que eu quisesse.
Fui aproveitando para fazer o que a grana permitia.
Resolvi ir a médicos, comprei algumas coisinhas para o apzito, resolvi ler um pouco mais, cozinhar minhas loucurinhas e fazer surpresas para o jantar.

Realmente quem tem a chance de estar em casa várias semanas, evolui muito. Não só como dona de casa, mas também em outras coisas, como encarar a vida menos a sério.

Ter a obrigação de arrumar os armários, além de fazer você lembrar de coisas que, muito provavelmente você havia esquecido, funciona como uma terapia, onde você pensa, repensa e fala alto alguns pensamentos importantes.
Um período sabático pode ser encarado de formas diferentes: para quem tem dinheiro, pode ser um bom momento para viajar, fazer um bom curso, terminar uma grande obra de perto, mas para quem tem pouco, nada disso é possível, embora o período seja igualmente rico.

Dentre os maiores aprendizados, acho que aprender a economizar é o melhor! Dá pra realocar gastos, repensar os custos e suas necessidades.
O grande problema depois desse aprendizado é chegar à brilhante conclusão, que é de fato, o dinheiro que compra tudo que é material. Não tem jeito! Não basta boa intenção, nem querer muito determinado objeto. É preciso ter o dinheiro em espécie ou a garantia dele, para levar para casa seu sonho de consumo.

Você aprende também que existe um mundo enorme à sua volta e que esse mesmo mundo não gira em torno da sua correria no dia-a-dia e sim, ao redor de todas as pessoas, cada uma com seu estilo.

Durante esse tempo também tenho aprendido mais sobre o tempo... Esse mesmo tempo que te engole dentro de um escritório, é o mesmo tempo que te consome com os "afazeres de casa" e que te mata de ansiedade até chegar o final de semana.

Por enquanto, vejo tudo com olhos de aprendiz.
Ansiosa por tudo que vem pela frente e também com muitas decisões a tomar. Talvez a decisão mais importante da minha vida venha desse período, que compulsoriamente, eu chamo de sabático.
Quem sabe...



Comentários

Yvonne M. disse…
Muito bom este texto, Bia! Amei.
AUGUSTO disse…
Não teria lido coisa melhor hoje !
MA-RA-VI-LHO-SO !
Macário Campos disse…
Para bom entendedor meia palavra basta neste caso? Bjs.
Não, meu querido Macário. Apenas reflexões... Beijocas
Augusto, posso dizer que vc me inspira? Hehe
Ivone querida, muito obrigada. Vindo de você... que honra!

Postagens mais visitadas deste blog

Patinhas de caranguejo ao molho vinagrete

O vinagrete do jeito que eu gosto...

Ingredientes
1Kg de patinha de caranguejo (de preferência do Maranhão, hehe) 2 tomates maduros 1 cebola 1 pimentão verde (que pode ser o da sua preferência) 1 maço de cheiro verde (se você preferir) ou apenas cebolinha 2 limões Sal Azeite para temperar
Modo de preparar
Afervente as patinhas em água com umas pitadinhas de sal. Veja bem, aferventar não é ferver. Basta abrir fervura e elas começarem a ficar cor de rosa, é pra tirar do fogo. Reserve e deixe esfriar. Se ficarem muito tempo no fogo elas ficam duras e na verdade elas devem ficar macias. Após lavar os legumes, corte em pedaços uniformes e bem pequenos, assim como o tomate (que é uma fruta). Para mim, quanto menor, melhor. Misture todos os legumes cortadinhos num bowl, tempere com o suco do limão, sal e bastante azeite. Acrescente um pouco de água filtrada para dar um pouco mais de molho ao vinagrete. Arrume as patinhas num refratário deixando-as com o "cabinho" pra cima. Dessa forma fica mais f…

Óleo composto de soja e oliva. Não caia nessa!

Esses óleos compostos que tanto enganam os comensais espalhados por ai foram feitos para cozer, não para derramar em cima do prato pronto! Foram criados como uma alternativa para quem está com o orçamento apertado ou não tem costume de cozinhar com azeite de oliva.  Para um prato refogado, por exemplo, fica muito saboroso. O problema é que pelo fato de ser mais barato, os donos de alguns restaurantes de segunda, terceira, quarta e quinta categoria substituem o tradicional azeite por esse composto e a turma desavisada, derrama com gosto em cima do prato. Uma maldade! Vejo o povo jogando em cima da salada, sendo que em todos os compostos, 95%  é de óleo de soja e apenas 5% é de azeite (não extra-virgem!). Esperteza do restaurante que ganha por um produto de qualidade inferior e lerdeza do consumidor que não lê o que está consumindo. O consumo de azeite no país tem crescido assustadoramente, à proporção que  a gastronomia ganhou status de ciência e o poder aquisitivo da população melhorou.  De…

Raposa, MA - passeio náutico que vale a pena!

Em meio às férias, resolvemos passear de barco pela Raposa, município da área metropolitana da Ilha de São Luís.
O município é pequeno. Grosso modo, deve ter por volta de 35 mil habitantes no máximo.
Tem uma cultura pesqueira muito interessante e também é um polo rendeiro de destaque em São Luís.

A cidade em si, não é muito atraente. São ruas estreitas, com casas, em sua maioria, de madeira, que lembram palafitas, no sentindo mais geral do termo.
Percebe-se a falta de saneamento básico na cidade e uma certa desordem urbana. Basta para isso, percorrer suas ruas para entender do que estou falando. Banheiros improvisados próximos aos mangues e muito lixo acumulado nas ruas e entre as casas é um dos retratos mais gritantes ao darmos uma volta perímetro urbano.

A Raposa surgiu como uma colônia de pescadores, com início na década de 40 do século passado, por pescadores vindos do Ceará e rapidamente tornou-se um reduto cearense, com as mulheres rendeiras desenvolvendo seu trabalho e os pesc…