sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fernanda Takai cantando Pinduca. Chique cantando brega!

Há uma coisa atualmente que me deixa muito animada: os chiques cantando bregas!
É impressionante a quantidade de cantores fazendo "releituras" de sucessos passados, de cantores bregas ou de raiz. A onda retrô realmente está na moda e virou "cult" gravar coisas do Odair José, da Jovem Guarda, do Wando, etc.

Isso é uma discussão enorme, digna de um mestrado ou até mesmo de várias conversas de bar. Não há consenso. Primeiro, porque o que define algo como chique ou brega é absolutamente subjetivo e como subjetivo, subentende-se que não há uma verdade suprema. Cada coisa, com suas especificidades e características, são únicas e possuem seus adeptos. 

Tomando por base os cantores ditos "bregas" no Brasil, há de se entender que todos tem esse rótulo porque sempre estiveram associados às classes populares, ou seja, do que pobre gosta, é brega!
Na outra extremidade, existem os ricos, que teoricamente e para fazer contraponto ao brega, são chiques porque se interessam por outros cantores que em suas cabeças de bagre, são de um nível superior.

Como sempre estive no meio do brega e do chique, aprendi desde cedo a gostar de tudo. Aprendi a me divertir nas festas no "Rasga sunga" em Humberto de Campos e ao mesmo tempo nos salões chiques da alta sociedade, onde a propósito, saíam brigas, chifres e esculachos dignos de programas policiais, ao contrário do velho clube humbertoense, onde saíamos de manhã com as sandálias nas mãos e todos felizes e sem nenhum atrito.

Mesmo estando no meio do brega e do chique, você acaba escolhendo seus cantores preferidos, suas influências e aquilo que te faz investir dinheiro em CD's, DVD's e Vinis. Nada demais. Tudo perfeitamente natural. Tenho amigos do forró, do brega, do carimbó, da música clássica, do samba e do pagode, do jazz, do metal e por aí vai. Posso perfeitamente estar em uma festa onde toquem todos esses sons, até porque ninguém consegue ouvir o mesmo ritmo a vida toda. [A vida não deixa, ainda bem! E mesmo quem fala o contrário, está mentindo ou esqueceu que em alguma bebedeira ou em algum momento esfuziante quis ouvir algo diferente. Talvez até pra homenagear um certo alguém...]

O fato é que ser brega ou chique é uma convenção do diabo! Foi o "coisaruim" que botou isso no mundo pra definir classes, superioridade ou coisa parecida. E pegou. Há séculos o mundo convive com dicotomias bobas.

Mas o mundo está mudando. Muita coisa está melhorando apesar dos pesares. Já não há tantas barreiras entre uma cosia e outra. Quantos cantores "chiques" agora dão o braço a torcer e assumem que uma boa música do Odair José traduz perfeitamente aquilo que sentiu há tempos? E que nem sempre uma música cantada baixinho, com arranjos metódicos toca n'alma?

Um exemplo perfeito disso são os dois vídeos abaixo. O primeiro, é de um dos maiores cantores do Brasil. Você muito provavelmente nunca ouviu falar. É o Pinduca, primeiro pop star brega do Brasil. Uma figuraça! Canta música de raiz. É do Pará e foi o responsável pela popularização do carimbó, um dos principais ritmos da Região Norte.
Para dançar carimbó, é preciso ter graça, ritmo, samba e ginga. Se você não tem isso, esquece! Continue sentadinho assistindo o João Gilberto com sua malemolência de banquinho. Para cada coisa, tem cada um, não é mesmo?
O tecnobrega vem daí. Vem do Pinduca! Vem dos instrumentos de sopro... Assista o vídeo e veja a riqueza da música, dos instrumentos e da alegria que é. As letras, como são de domínio popular, são feitas com rimas fáceis. É a cara de uma festa!

O segundo vídeo, é da Fernanda Takai, cantora que eu admiro muito. Tem voz suave e melódica. Tenho alguns CD's tanto do Pato Fu quanto de projetos solo. São todos um primor. São ótimos para escutar e relaxar. A Fernanda, no DVD Luz Negra, que fez em homenagem a Nara Leão, inseriu algumas fusões divertidíssimas! Uma delas é um carimbó do Pinduca! O arranjo da música é uma maravilha e mesmo com menos malemolência (que por sinal, ela não tem nenhuma!), a música fica divertida e a cara de uma festa.
Achei a perfeita tradução do chique cantando brega.
Divirtam-se! 







Nenhum comentário: