Pular para o conteúdo principal

Quanto dura a minha paixão.

Quando eu tinha 7 anos eu tinha uma apaixonite pelo Sidney Magal. Não consigo entender vendo-o hoje cantar “Sandra Rosa Madalena”. Me pergunto: Como assim? Como eu pude gostar daquele homenzarrão meio cigano, meio brega? Mas eu adorava... Até chorava quando o via cantar no Chacrinha, de tanta tietagem. Sabia todas as letras, tinha os discos e mamãe me deixava dançar imitando ele. Foi embalada ao som dos hits dessa figura que conheci a paixão.

Paixão é assim, não tem idade nem o porquê. Você às vezes se apaixona por coisas tão bobas aos olhos dos outros e pra você aquilo é tão significativo, não é mesmo?
A paixão se instala no coração da gente que não há reza braba que tire. Pode demorar meses, anos, anos bissextos. O que acontece é que as paixões antigas podem ser substituídas por novas paixões. Aí seu coração continua agitado e eu acho isso uma delícia. Consigo me apaixonar até por canetas, mas gosto de ter o coração palpitando por uma boa causa.

Depois do Sidney Magal, me apaixonei por um garoto da escola. E nesse quesito, quem nunca se apaixonou por um amiguinho ou amiguinha? Pois é. Esse danado nunca olhou na minha cara. Sentávamos até perto. Jogava meu charme infantil e nada! Ele andava meio de chamego com uma outra menina da sala. Foi a primeira vez que meu coração se partiu! A paixão pelo cantor famoso não decepciona porque você sabe que existem outras tantas no mesmo barco, mas com um amiguinho? Poxa!
Quando a Turma do Balão Mágico lançou a música “Se Enamora”, lembro de cantar a música em frente ao espelho da antiga penteadeira da mamãe e fazer um pente qualquer de microfone. Pensava no colega de classe e dava um aperto no coração. Até sonhava com ele me tirando pra dançar... ai, como essas paixões arrasam a gente.

Dessa época, até a paixão evoluir para o âmbito internacional, foi um pulo! O grupo Menudo, febre latinoamericana, era uma paixão sem tamanho. Imaginava o Robby Rosa se apaixonando por mim, falando com aquela voz fina e macia que eu era a garota dos seus sonhos. Até fazia roteiros de filme de sessão da tarde detalhando como íamos nos encontrar. Como a gente é bocó quando se apaixona, né?
Somos capazes de imaginar absurdos e mais absurdos. Mas no pensamento tudo é possível. Não há limites para a paixão! Achava a coreografia de “Não se reprima” um espetáculo, pode?
Nesse meio termo, vieram outras paixões menos arrebatadoras, por outras bandas nacionais tipo o Grupo Dominó. Mesmo com menor intensidade, essa paixão me fez ir a um show antológico em São Luís no estádio Castelão e ainda me fez escalar um fosso de 5 metros para chegar mais perto deles. Se paguei alguns micos na vida, tai um ótimo exemplo!

Já tinha passado dos 15 anos e invoquei com um menino do terceiro científico. As meninas de um modo geral adoram homens mais velhos nessa fase. Não entendo o motivo, já que nesse caso, novamente, ele nem sabia da minha existência. Cheguei ao cúmulo de pedir pra ele tirar uma foto comigo. Só pra eu ficar olhando... Micão também!

A paixão tem muitas facetas. Nesse mesmo período, tive o primeiro namorado. Desajeitada, inibida e sem muito traquejo com o assunto, logo logo o namoro terminou.
Sem perder muito tempo (nessa época não perdemos muito tempo com esses assuntos), engatei um outro namoro que durou o tempo suficiente de me deixar um pouco incrédula com as paixões. Talvez a infidelidade do namoradinho tenha sido um pouco traumática, mas a vida, que é uma beleza, foi me dando alternativas e eu fui me apaixonando pela própria vida, pelas viagens, pela música, pelas artes e pela cultura do Maranhão. Também comecei a gostar muito de ficar com meus amigos. Fui escolhendo melhor quem entraria no círculo de amizades e a coisa foi ficando gostosa e divertida.

Depois disso, me apaixonei por mim! Comecei a fazer alguns programas solitários, comecei a achar que aeroporto era um bom lugar pra se estar lendo, embora hoje desabone essa ideia.

Mas veio a fase adulta e me deu uma outra excelente oportunidade: poder escolher as paixões! Além dos amigos e da minha família, escolhi me apaixonar pelos meus alunos, pelos meus afilhados... E na vida eu optei por ter novas paixões e mais paixões e outras paixões e quero ter muitas paixões a cada amanhecer.

Até chegar na fase atual: a do amor...

Jornal Cazumbá, Setembro de 2011. Coluna Ócio, Viagens e Gastronomia

Comentários

Nila Michele disse…
Amiga, também entrei no mundo mágico da blogsesfera, e fiz um post parecido ao teu. http://ascronicasdenila.blogspot.com/
Dá uma passadinha lá e me segue.
bjs
Sabrina disse…
Que texto maravilhoso! Acho lindo ver uma pessoa apaixonada - pela vida, pelo que faz, pela comida linda no prato, pelo por-do-sol, pelas ideias, por si mesma. Que possamos estar sempre apaixonados!

Agora... O Magalzão realmente é difícil de entender! Hahahaha!!!

Beijo grande!
Nila, seguindo estou... Obrigada querida!
Sabrina lindona, obrigada, viu?
Ai o Magal... uma manchinha no currículo, né? kkkkkkkkkkk

Postagens mais visitadas deste blog

Óleo composto de soja e oliva. Não caia nessa!

Esses óleos compostos que tanto enganam os comensais espalhados por ai foram feitos para cozer, não para derramar em cima do prato pronto! Foram criados como uma alternativa para quem está com o orçamento apertado ou não tem costume de cozinhar com azeite de oliva.  Para um prato refogado, por exemplo, fica muito saboroso. O problema é que pelo fato de ser mais barato, os donos de alguns restaurantes de segunda, terceira, quarta e quinta categoria substituem o tradicional azeite por esse composto e a turma desavisada, derrama com gosto em cima do prato. Uma maldade! Vejo o povo jogando em cima da salada, sendo que em todos os compostos, 95%  é de óleo de soja e apenas 5% é de azeite (não extra-virgem!). Esperteza do restaurante que ganha por um produto de qualidade inferior e lerdeza do consumidor que não lê o que está consumindo. O consumo de azeite no país tem crescido assustadoramente, à proporção que  a gastronomia ganhou status de ciência e o poder aquisitivo da população melhorou.  De…

Patinhas de caranguejo ao molho vinagrete

O vinagrete do jeito que eu gosto...

Ingredientes
1Kg de patinha de caranguejo (de preferência do Maranhão, hehe) 2 tomates maduros 1 cebola 1 pimentão verde (que pode ser o da sua preferência) 1 maço de cheiro verde (se você preferir) ou apenas cebolinha 2 limões Sal Azeite para temperar
Modo de preparar
Afervente as patinhas em água com umas pitadinhas de sal. Veja bem, aferventar não é ferver. Basta abrir fervura e elas começarem a ficar cor de rosa, é pra tirar do fogo. Reserve e deixe esfriar. Se ficarem muito tempo no fogo elas ficam duras e na verdade elas devem ficar macias. Após lavar os legumes, corte em pedaços uniformes e bem pequenos, assim como o tomate (que é uma fruta). Para mim, quanto menor, melhor. Misture todos os legumes cortadinhos num bowl, tempere com o suco do limão, sal e bastante azeite. Acrescente um pouco de água filtrada para dar um pouco mais de molho ao vinagrete. Arrume as patinhas num refratário deixando-as com o "cabinho" pra cima. Dessa forma fica mais f…

Extrato de tomate congelado. Pode sim!

Taí que eu não sabia que podia congelar extrato de tomate, acreditam? Perdi a conta das vezes em que deixei de fazer alguma coisinha porque teria que abrir a lata de extrato de tomate, usar uma colher de sopa e guardar [e estragar] o resto. Para minimizar os prejuízos, não só financeiros, mas de consciência também, passei a comprar aquela latinha "elefante" bem pititica. Mas ainda assim estragava metade... Agora, descobri com nossa consultora Andréa, que podemos usar o que vamos precisar e congelar o resto. Será que só eu não sabia disso? Ai que horror! Acho que dá pra fazer assim: abrir a latinha e já separar umas porções para congelar, como está mostrado na foto acima. Mas Andréa lembra: não é bom deixar muito enrugadinha porque quando você for usar, pode ser que o plástico fique difícil de tirar. Melhor deixar assim mais lisinho.
Agora vai lá fazer um macarrão e contra aqui pra gente como ficou, tá?
Inté,