quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quanto dura a minha paixão.

Quando eu tinha 7 anos eu tinha uma apaixonite pelo Sidney Magal. Não consigo entender vendo-o hoje cantar “Sandra Rosa Madalena”. Me pergunto: Como assim? Como eu pude gostar daquele homenzarrão meio cigano, meio brega? Mas eu adorava... Até chorava quando o via cantar no Chacrinha, de tanta tietagem. Sabia todas as letras, tinha os discos e mamãe me deixava dançar imitando ele. Foi embalada ao som dos hits dessa figura que conheci a paixão.

Paixão é assim, não tem idade nem o porquê. Você às vezes se apaixona por coisas tão bobas aos olhos dos outros e pra você aquilo é tão significativo, não é mesmo?
A paixão se instala no coração da gente que não há reza braba que tire. Pode demorar meses, anos, anos bissextos. O que acontece é que as paixões antigas podem ser substituídas por novas paixões. Aí seu coração continua agitado e eu acho isso uma delícia. Consigo me apaixonar até por canetas, mas gosto de ter o coração palpitando por uma boa causa.

Depois do Sidney Magal, me apaixonei por um garoto da escola. E nesse quesito, quem nunca se apaixonou por um amiguinho ou amiguinha? Pois é. Esse danado nunca olhou na minha cara. Sentávamos até perto. Jogava meu charme infantil e nada! Ele andava meio de chamego com uma outra menina da sala. Foi a primeira vez que meu coração se partiu! A paixão pelo cantor famoso não decepciona porque você sabe que existem outras tantas no mesmo barco, mas com um amiguinho? Poxa!
Quando a Turma do Balão Mágico lançou a música “Se Enamora”, lembro de cantar a música em frente ao espelho da antiga penteadeira da mamãe e fazer um pente qualquer de microfone. Pensava no colega de classe e dava um aperto no coração. Até sonhava com ele me tirando pra dançar... ai, como essas paixões arrasam a gente.

Dessa época, até a paixão evoluir para o âmbito internacional, foi um pulo! O grupo Menudo, febre latinoamericana, era uma paixão sem tamanho. Imaginava o Robby Rosa se apaixonando por mim, falando com aquela voz fina e macia que eu era a garota dos seus sonhos. Até fazia roteiros de filme de sessão da tarde detalhando como íamos nos encontrar. Como a gente é bocó quando se apaixona, né?
Somos capazes de imaginar absurdos e mais absurdos. Mas no pensamento tudo é possível. Não há limites para a paixão! Achava a coreografia de “Não se reprima” um espetáculo, pode?
Nesse meio termo, vieram outras paixões menos arrebatadoras, por outras bandas nacionais tipo o Grupo Dominó. Mesmo com menor intensidade, essa paixão me fez ir a um show antológico em São Luís no estádio Castelão e ainda me fez escalar um fosso de 5 metros para chegar mais perto deles. Se paguei alguns micos na vida, tai um ótimo exemplo!

Já tinha passado dos 15 anos e invoquei com um menino do terceiro científico. As meninas de um modo geral adoram homens mais velhos nessa fase. Não entendo o motivo, já que nesse caso, novamente, ele nem sabia da minha existência. Cheguei ao cúmulo de pedir pra ele tirar uma foto comigo. Só pra eu ficar olhando... Micão também!

A paixão tem muitas facetas. Nesse mesmo período, tive o primeiro namorado. Desajeitada, inibida e sem muito traquejo com o assunto, logo logo o namoro terminou.
Sem perder muito tempo (nessa época não perdemos muito tempo com esses assuntos), engatei um outro namoro que durou o tempo suficiente de me deixar um pouco incrédula com as paixões. Talvez a infidelidade do namoradinho tenha sido um pouco traumática, mas a vida, que é uma beleza, foi me dando alternativas e eu fui me apaixonando pela própria vida, pelas viagens, pela música, pelas artes e pela cultura do Maranhão. Também comecei a gostar muito de ficar com meus amigos. Fui escolhendo melhor quem entraria no círculo de amizades e a coisa foi ficando gostosa e divertida.

Depois disso, me apaixonei por mim! Comecei a fazer alguns programas solitários, comecei a achar que aeroporto era um bom lugar pra se estar lendo, embora hoje desabone essa ideia.

Mas veio a fase adulta e me deu uma outra excelente oportunidade: poder escolher as paixões! Além dos amigos e da minha família, escolhi me apaixonar pelos meus alunos, pelos meus afilhados... E na vida eu optei por ter novas paixões e mais paixões e outras paixões e quero ter muitas paixões a cada amanhecer.

Até chegar na fase atual: a do amor...

Jornal Cazumbá, Setembro de 2011. Coluna Ócio, Viagens e Gastronomia

4 comentários:

Nila Michele disse...

Amiga, também entrei no mundo mágico da blogsesfera, e fiz um post parecido ao teu. http://ascronicasdenila.blogspot.com/
Dá uma passadinha lá e me segue.
bjs

Sabrina disse...

Que texto maravilhoso! Acho lindo ver uma pessoa apaixonada - pela vida, pelo que faz, pela comida linda no prato, pelo por-do-sol, pelas ideias, por si mesma. Que possamos estar sempre apaixonados!

Agora... O Magalzão realmente é difícil de entender! Hahahaha!!!

Beijo grande!

Ócio, viagens e gastronomia disse...

Nila, seguindo estou... Obrigada querida!

Ócio, viagens e gastronomia disse...

Sabrina lindona, obrigada, viu?
Ai o Magal... uma manchinha no currículo, né? kkkkkkkkkkk