quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Frutas, frutas, frutas!!!!


As frutas são perfumadas e saborosas, nutritivas e viscosas. Como não se render ao aroma de um maracujá maduro ou mesmo de uma tangerina perfumando todo o ambiente?

As frutas são importantes alimentos que a natureza nos dá de presente todos os dias. Ajudam a limpar o organismo e são responsáveis por uma digestão mais eficiente. Chegam a ser um pouco independentes, já que carregam suas próprias enzimas e por isso digerem-se sozinhas. São indicadas para antes do almoço ou para quando o estômago está vazio.

Juntamente com as carnes, cereais, ervas, leguminosas e verduras formam parte da linhagem cultural de uma região. São de um modo geral um recorte da cultura de um povo e por isso são tão importantes no processo de identidade e autoestima dos que ali residem e causam curiosidade nos que ali chegam.

Os hábitos alimentares de um povo misturam-se ao seu modo de falar, de dançar, ao seu modo de vida e causam atratividade, movimentando grandes fluxos turísticos.
Como chegar em algum lugar e não saber o que se come por ali? As respostas a essa freqüente pergunta se transformam em grandes viagens gastronômicas e deixam boas lembranças palatinas.

As frutas originariamente maranhenses são difíceis de serem catalogadas, já que nos misturamos com a Região Norte de uma tal forma que é muito difícil saber se o abricó nasceu no Maranhão ou no Pará! Assim como o abricó, fruto instigante marrom por fora e laranja por dentro, temos o cupuaçu e o bacuri. Ambos estão na Região Norte e de forma marcante no Maranhão, Estado que assume feições nortistas em grande parte de seu território. A confusão é tanta, que para a maioria dos ludovicenses a dupla “cupu-bacuri” é o exemplo mais clássico de nossas frutas maranhenses.

O açaí para nós é Juçara e está nas duas regiões com igual importância. O sapoti já se apresenta no Nordeste e é encontrado com relativa facilidade também em Alagoas, Ceará e Paraíba. Particularmente, uma das minhas frutas preferidas.

Na contramão da história, nós maranhenses deixamos de lado o que nos é típico e absorvemos hábitos de outras regiões com a desculpa de que isso é “a evolução dos tempos”. Não compreendo muito bem esse abandono, já que somos feitos de lembranças vindas diretamente de hábitos bem maranhenses, embora tenhamos evoluído junto com os tempos. Essa essência é a nossa melhor parte!

Lembro bem de um sorvete de jenipapo que minha mãe fazia com leite condensado e creme de leite que adoçava as minhas tardes de domingo quando criança.  Hoje em dia ainda vejo vender na Praia Grande, mas nunca vi ninguém daqui (maranhense) comprar!

Ainda nessa época (infância), descobri pitanga e até hoje, quando posso, me lambuzo no seu doce e azedo. E o murici? Que frutinha mais adorada! Ninguém consegue comer apenas um. O correto é encher a mão e ir cuspindo o caroço depois de bem limpinho. O suco de murici é muito raro hoje em dia e lamento a cada vez que procuro num restaurante e só me oferecem em troca, pela ausência, acerola, laranja, goiaba ou morango. O murici tem um perfume marcante e é para pessoas também marcantes.

No município de origem da minha família (Humberto de Campos), posso garantir que as frutas não devem nada a nenhuma outra região. Só lá encontro pirunga, mirim, guajiru, bacaba e jatobá. Você por acaso conhece alguma dessas? A pirunga está quase em extinção, mas é uma delícia pequenina, redondinha e doce. Deixa a língua azulada e denuncia rapidamente quem acabou de se esbaldar. O mirim parece muito com a pirunga sendo um pouco mais leitoso e carnudo. O jatobá e a bacaba são ótimos como “vinho” e com um punhado de farinha e uma colher de açúcar substituem um belo almoço. Conhecido como “tiquara”, tem no buriti um concorrente forte.

As frutas ainda podem se transformar em compotas, doces cristalizados, pastas, geléias ou mesmo uma boa salada de frutas que regada com refrigerante Jesus é imbatível. Se achar que estou inventando, sugiro experimentar. Garanto que nunca experimentou nada igual!
Quer apostar?

Coluna Ócio, viagens e gastronomia/ Jornal Cazumbá, agosto 2011

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