terça-feira, 26 de julho de 2011

Dia da Avó.

A minha vó entrou na minha vida aos 7 anos.
Antes disso ela vivia no interior e longe de onde morávamos.
Quando iniciei minha emancipação (precoce, né?) aos 7 anos, comecei a frequentar a casa da vovó em todas as férias e a minha vida ganhou nova cor.
Grande parte do que sou vem daí. Desde a tabuada, que aprendi com ela me dando uns bolos nas mãos; os bolos de tapioca que ela temperava, deixava descansar e que eu comia escondido; as cocadas especialmente feitas para mim.
Todas as férias eram com ela. As brincadeiras, as dancinhas e as presepadas. Como passava vergonha com vovó me obrigando a sair nas danças bregas dela... Ela sempre foi a agitadora cultural do lugar. Os bailes, os teatros, as comédias, os discursos. Era ela quem agitava tudo.
Estando eu lá, como poderia ficar de fora de uma produção dessas?

Mas foi isso que me tornou uma pessoa plural.
Que respeita os outros, que reconhece a originalidade das manifestações culturais. 
Ela sempre teve uns preconceitos aceitáveis pela idade e pelo ambiente em que vivia, mas eu a fiz romper muitas barreiras.
Abre parênteses[Não se deve esperar muito de alguém que nasceu em 1922 e morou a vida toda num lugar com 5 mil habitantes, não é mesmo?]. Fecha parênteses.
As primeiras mentiras (ou omissões, caso queiram) também foram pra ela. Só depois foram para minha mãe, que é de fato, a verdadeira responsável pelo meu caráter.

Mas a minha vó é muito especial. Não importa as reclamações dos filhos. As incompatibilidades que sempre tem em família e principalmente entre mãe e filhos. Vó é para o neto o que não é para os filhos. Pelo menos a minha é!
A minha vó não teve uma vida fácil e nunca deixou que suas cicatrizes atrapalhassem a sua relação com os netos. Nossa relação foi sempre de cobrança, respeito e de muito amor.

Tanto amor que há uns cinco anos estávamos conversando e ela falou que "tal coisa" era legal! Como assim legal? Vovó falando legal? Nunca tínhamos ouvido tal palavrinha saindo de sua boca, mas para se enturmar com os netos, ela falou "legal". Jamais irei esquecer!
Uma velhinha de cabelinhos brancos, que sempre falou um português correto, sem gírias ou  abreviações falando legal... Demais!!!!

Nunca foi muito com a "cara" dos meus namoradinhos. Sempre tinha um defeitinho que a incomodadva, mas com a do "maridão" foi de primeira! Gostou tanto que sente carinho. Sinto isso.

Não pude vê-la agora no início do mês quando estive em São Luís.
É uma pena. Tão velhinha ela está... Tão frágil e tão carente... A amo muito...

Hoje é o Dia da Avó. Dia de Nossa Senhora Sant'Ana, avó de Jesus.

Vovó deve estar agora se preparando para a procissão que acontece em homenagem à padroeira da cidade o final da tarde. É provável que esteja ansiosa, que não coma direito preocupada com a organização de tudo. Ficará até o final da procissão e depois sentará na praça para ver a bandinha tocar...


2 comentários:

Paulinha disse...

Desde os meus 9 anos que moro com a minha avó materna, que ainda de quebra é minha madrinha. Tudo o que sou e tenho devo a ela. Pense numa pessoa que já sofreu nessa vida, 2 filhos mortos em um mesmo acidente de carro, anos mais tarde sofre um acidente (segundo ela encomendado para matá-los) e perde o amor da vida dela. Cresci vendo-a chorar quase todos os por suas perdas. Ela tem 82 anos e vai à academia 3x por semana, pinta divinamente, toca piano maravilhosamente bem e agora decidiu aprender a tocar violão. Hj descobrimos que ela tá com um aneurisma abdominal na aorta um pouco grande e isso vai exigir cuidados redobrados com algumas coisas. =/ Avó era pra ser eterna, pra ficar do seu lado até vc tbm ficar velhinha. Mas se o cara lá de cima quiser, e ele vai querer, ela vai chegar fácil e cheia de saúde no mínimo aos 100 anos. =DD
TE AMO VÓ!!!

Ócio, viagens e gastronomia disse...

Coisa linda Paulinha... Acho tua vó tão "cuti cuti"...