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Comidinha de mãe

Outro dia escrevei que quando você se torna mãe, deve cair um pozinho do céu dando o poder de fazer tudo ficar gostoso.
Porque comida de mãe não tem igual. Pode ser apenas um prato, um detalhe. Tem coisas que só a mãe da gente sabe fazer. A comida que nossa mãe faz, traz à tona uma questão emocional importante. É a típica comida afetiva, hoje conhecida como Comfort Food.

Cada vez que o mundo fica mais agitado, mais incoerente e mais selvagem, o homem cria alternativas para sair desse sufoco e aumentar sua expectativa de vida com fatos quase sempre associados à alma e ao coração.
Assim surgiu a terminologia Comfort Food, trabalhada pelos famosos Chef’s e que desperta sensações agradáveis e remete geralmente à infância ou a algum momento particular muito bom.
A terminologia tem sido utilizada para contrabalancear a racionalidade das comidas funcionais, que geralmente são ingeridas pelos benefícios à saúde e à já tão desgastada e “achincalhada” Fast Food, que nada mais é que aquela comida com valor nutricional muito baixo, embora d-e-l-i-c-i-o-s-a!

Os alimentos funcionais estão em alta pelo grande benefício que proporcionam. São nutritivas e fazem bem ao organismo. De segunda a sexta, muitas pessoas aderem à ingestão dos alimentos “ditos corretos”, que são ricos em fibras, sais minerais e são pouco calóricos.
No entanto, quando chega o final de semana, a curva das regras inquebráveis fica abalada com os rompantes de alegria, desejos e pela ingestão exagerada de Fast Foods. Comer um hambúrguer bem gordo com batata fritas pode ser tão prazeroso quando encontrar por acaso o amor da sua vida num shopping sem ter marcado encontro.
A Comfort Food, então, apareceu para botar mais lenha nessa fogueira!
Como é uma comida que remete à infância e a momentos bons, geralmente lembra ou a Vó ou a Mãe da gente e garanto que nem uma e nem outra, tem preocupação em balancear nutrientes! Talvez por isso os nutricionistas torçam o bico pra essa comidinha caseira, alegando que não são tão saudáveis assim...
Minha Vó não tinha e não tem nenhuma noção sobre o que falo neste texto. Jamais ouviu falar em Quinoa, sal light e ainda acredita que uma boa gemada cura quase tudo. Minha mãe por outro lado, que passou fome por muitas vezes, não foi criada para harmonizar saladas e proteínas. Foi programada para encher a barriga ao máximo que pudesse porque provavelmente não sabia quando iria comer de novo. Alimento bom para esse caso? A autêntica farinha d’água, que depois de um gole de água, incha e dá a sensação de saciedade prolongada.
Foi nesse perrengue que minha mãe aprendeu a cozinhar e a fazer coisas deliciosas, como tudo que ela faz na cozinha, com destaque especial ao seu famoso “Mocotó”, que esse, ela faz com muita propriedade.
Comida de mãe não deveria nem ser considerada comida e sim, uma espécie de “iguaria dos deuses”, onde nada pode ser comparado. A comida da vó então, uma categoria acima, onde nem as mães poderiam concorrer e somente respeitar.

Já existem restaurantes por aí que trabalham a comidinha de infância como um grande chamariz para clientes, mas infelizmente, nenhum na cidade de São Paulo, a Meca da alimentação mundial, me traz aquelas lembranças boas da casa da Vovó ou mesmo da casa da minha Mãe.
A comida da minha mãe tem cheiro de maresia, cheiro de mar, de sal, de peixe fresquinho e de mais alguma coisa que só quem nasce na praia é capaz de saber e de gostar...


Jornal Cazumbá, junho de 2011.

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Inté,