quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma do Barcinsky

Você não se identifica com as pessoas à toa.
Tudo tem uma lógica. Vejam abaixo o post do Barcinsky e vejam se não é pra gostar de uma criatura dessas?

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O cão brocha e a cadelinha manca



Há algumas semanas, nossa casa ganhou novos moradores: dois boxers.

São dois bebês. Um é macho e tigrado. A outra é uma fêmea, mais novinha, cor de caramelo e patas brancas. Dois cachorros lindos.

Decidimos por um casal porque achamos que seria fantástico para nossa filha acompanhar todo o ciclo de nascimento de filhotes: o cio, a gravidez, o nascimento, e vários cachorrinhos pequenos correndo pela casa.

Combinamos com o dono do canil que ele ficaria com todos os filhotes. Perfeito.

Minha filha batizou a dupla de Jorge e Bebete, em homenagem a duas músicas de Jorge Ben que ela adora.

Eles se adaptaram rapidamente à casa: em poucas horas, já tinham destruído um canteiro de bromélias e mastigado três refletores do jardim. Umas graças.

Logo nos primeiros dias, percebemos que Bebete mancava de uma patinha. O veterinário identificou um inchaço na patela e pediu que a observássemos.

Algumas semanas passaram, e o inchaço continuava.

Achamos um especialista em ortopedia veterinária em Ubatuba, a 70 km de casa. Levamos os dois cachorros.

As notícias não foram boas: radiografias mostraram que Bebete tinha uma má-formação da tíbia e do fêmur, o que estava causando um trauma nos ligamentos.

Aproveitamos para fazer um check-up em Jorge. O veterinário percebeu que o coitado só tinha um testículo. Ou melhor: o segundo testículo estava “escondido” e com risco de causar uma infecção (não me peçam detalhes, urologia canina não é o meu forte).

Para resumir: Bebete precisaria ser operada da perna, e Jorge, castrado. Aliás, Bebete também será castrada, já que os dois têm problemas que podem ser hereditários.

Lá se foi nosso sonho de ver uma ninhada nascendo em casa...

O caso de Bebete é bem grave. O veterinário diz que não pode garantir o sucesso total da operação. Há uma boa chance de ela ficar manca pelo resto da vida. A cirurgia não é nada simples, e quase caí da cadeira quando o doutor falou o preço da operação. Tivemos de parcelar em quatro vezes.

Tentei contornar a situação com bom humor: Jorge passou a ser chamado de “Viagra”, “Bola Um” e “Bola Murcha”, e Bebete, que ganhou muito peso e tem problemas no joelho, de “Bebete Fenômeno”.

Assim que chegamos em casa, liguei para o canil. Queria avisar ao vendedor que os problemas dos cachorros poderiam ser hereditários, e que ele deveria observar outros cães das mesmas ninhadas.

O sujeito ouviu meu relato e nem titubeou: “Sem problema, a gente providencia a troca dos animais.”

Aquilo me pegou de surpresa. Juro que eu nem havia pensado na hipótese.

Eu disse que não queríamos trocar os boxers. Ele não acreditou: “Tem certeza? Mas a cadelinha pode ter um problema pelo resto da vida!”

Eu entendo a lógica do vendedor. Ele é um comerciante. Se vendeu um produto “defeituoso”, a única coisa a fazer é trocar a “mercadoria”.

Entendo também por que muita gente optaria por devolver os cachorros. Se você quer cães para criar, é um risco grande cruzar animais com possíveis problemas genéticos.

Mas nosso caso é diferente. Compramos os cachorros para nosso prazer, para ter mais companhia e alegrar nossa casa.

Bebete terá “problemas”? Muito provavelmente. Vai precisar de cuidados especiais? Com certeza.

Mas problema maior seria justificar para nossa filha porque escolhemos nos livrar de problemas simplesmente trocando as peças defeituosas. Não é assim que a vida funciona.

Esperamos que o “problema” de Bebete se torne uma lição bonita para nossa filha: de como devemos aceitar as coisas como elas são, e não como gostaríamos que elas fossem. Mesmo que isso dê muito trabalho. 


Para conhecer mais, aqui.

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