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"Estadão" e o famoso sanduiche de pernil.


Desde que o mundo é mundo, leio sobre "o Estadão".
Basta abrir qualquer guia de São Paulo, que uma passagem na madruga por esse lugar é obrigatória. Essa lanchonete é um dos ícones da cidade e como os outros, é rodeada de história e de bons papos.
Das inúmeras vezes que vim aqui, antes de morar, nunca dava pra passar por lá. Ou o tempo não era suficiente ou mesmo a programação rumava para outros botecos e outras levadas.
Numa cidade desse tamanho, sempre falta alguma coisa pra ver e sair com a sensação de que deveria ter feito mais, é perene.

A história da lanchonete começa na década de 60, quando o Jornal O Estado de São Paulo funcionava ao lado da lanchonete e por conta da rotina de trabalho de 24 horas de jornalistas, office-boys, executivos, visitantes, e todos os trabalhadores envolvidos com o jornal, além dos intelectuais e artistas da época, o espaço foi crescendo e se tornando referência no atendimento ininterrupto. Todos iam fazer uma "boquinha" no lugar.
Isso tudo associado à própria cultura paulistana de boteco e padoca, é claro. Não creio que um ambiente como esse daria certo em outras capitais ou mesmo com hábitos litorâneos. Só em São Paulo um boteco consegue agregar no mesmo espaço pessoas de terno, chinelo, trabalhadores braçais e artistas democraticamente. Todos possuem o mesmo valor e consomem o mesmo cardápio.
Pois no "Estadão" é assim: todo mundo junto e misturado e todo mundo feliz!

Como uma boa lanchonete, vende de tudo. Sanduiches variados, refeições, sucos, cervejas, refrigerantes, chás, saladas, petiscos, espetinhos, drinks e o internacional sanduiche de pernil, que fez a fama do lugar.
Fomos no início da noite e não na madruga como manda o regulamento. Não tínhamos almoçado e jantar o sanduiche de pernil mais famoso do mundo compensaria e fome já se anunciando no estômago embebido de cervejas.


Lá tem as geladeiras e você chega, vai abrindo e pegando. Super democrático!
Tem para todos os gostos. Cada um escolheu o que quis.
Optei por uma CERPA tipo exportação, que gosto muito. A mais cara, por sinal...

Aqui, uma geral da primeira parte da lanchonete. Ao fundo da foto tem um corredor que se abre para um novo salão com mesas e cadeiras.
Poderíamos brincar de "Onde está Wally?", né?

Os acompanhamentos ficam cortados e expostos para aguçar os clientes. Tudo bem fresquinho.
A estratégia dá super certo...

A foto ficou embaçada porque o balcão estava embaçado mesmo.
São vários balcões espalhados pela lanchonete com todo tipo de verduras, legumes e hortaliças. 

As peças de pernis ficam assadas e também expostas em balcões só para elas.
É uma coisa impressionante para quem vê a primeira vez.
Fui logo perguntando quantas eram vendidas por dia e Amaral, personagem principal dessa história, foi logo dizendo: "40 quando não está nervoso!" 

Fui bem pertinho pra me certificar de tuuuudo! 

Bom, se o "Estadão" existe desde a década de 60, Amaral está lá desde então.
Trabalha há 33 anos sem parar e por isso se transformou na figura mais emblemática da lanchonete.
Todas as TV's vão entrevistá-lo. Todo mundo o chama pelo nome. Os garçons o respeitam e eu, me apaixonei! :)
Nessa foto, com pose escolhida por ele, uma peça de pernil foi fatiada para ir direto para a chapa. Sai muito sanduiche de pernil com queijo e a base é essa: pernil na chapa com queijo derretidinho. Hum...

Rachamos um de pernil tradicional.
Tradicional = pão francês, pernil fatiado e vinagrete. Nada de muito "floreado".

Os homens, ah esses meninos...
Escolheram bolinhos de carne e coxinha saída naquela horinha da fritadeira!

Falei que me apaixonei por Amaral, né?
Toda hora inventava uma desculpa pra ficar perguntando coisa pra ele.
E haja cerveja, enquanto isso...

Amaral devia estar de saco cheio de mim. Não aguentava mais tirar foto, hehe.
Me contou que Edu Guedes foi lá semana passada fazer uma matéria e ele não gostou de passarem pó de arroz nele. "Não ficou muito bom isso não".
Essa semana ele iria pra TV ensinar a fazer o famoso sanduiche. Tá que tá famoso...

Balcão com frituras. Lindos os salgadinhos. Passei longe, claro!

Dizem que bêbado não tem juizo. Não concordava muito com essa máxima até ver essa foto no dia seguinte, já que sempre fui uma bêbada comportada, embora desmemoriada!
Olha o cúmulo do exagero: em casa, comendo mais sanduiche e tomando mais cerveja! Oh god!



Enquanto estávamos lá, muitos clientes chegaram pedindo pernil fatiado no quilo, assim como inúmeros sanduiches para viagem, acompanhamentos diversos, etc. A coisa não para, é impressionante.
Achei todos os garçons muito solícitos, os banheiros razoáveis para o movimento e os balcões de apoio para comer em pé muito limpos. Isso faz muita diferença pra mim...
Amaral também nos deu de presente pratinhos com "pururuca" que é o couro do porco frito e torradinho, enquanto estávamos lá. Um gole de cerveja e um teco de pururuca. 
Não! Não faça isso regularmente! O Ministério da saúde adverte: isso engorda!
Levamos pra casa um porção de presente também. 
Depois dessa, vou voltar lá para tirar a prova se Amaral gostou ou não gostou de mim!

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