quarta-feira, 25 de maio de 2011

Injustiça Social

O trabalho que faço agora me deixa diariamente muito desconfortável.
Explico.
Trabalho na análise das pesquisas que fazemos com vários públicos, que darão os subsídios para a elaboração do Plano de Marketing da cidade de São Luís.
É um trabalho inédito para mim.Também muito desafiador.
O problema é ler e assistir o que as pessoas falam sobre a tua cidade e ter que permanecer calada. Ter que aguentar o péssimo conceito que todos tem em relação à infraestrutura daquela Ilha.
Às vezes aceito. Outras quero gritar. Muitas outras fico triste e a maioria das vezes finjo não ouvir.
Após o estupro mental que sou acometida dia a dia, tenho que escrever em forma de relatórios oficiais o que essas pessoas falam, o que acham e como comparam as cidades do Brasil.
Uma injustiça. Injustiça Social, eu diria!
Um País injusto por natureza, com essas dimensões e que nunca pode tratar com igualdade seu povo e muito menos consegue manter um equilíbrio não pode ser considerado uma nação...
Com a chegada de D. João VI por aqui, foi escolhido o pedaço do território para privilegiar e para desenvolver. Sempre foi assim.
Os livros contam com riqueza de detalhes. É perceptível hoje em dia.
Passamos de monarquia para império com a parte centro-norte do país sem tomar conhecimento do que estava acontecendo, com uma população escravizada povoando grande parte do território.
Como podemos, mesmo hoje, cobrar desenvolvimento igualitário?
Até poderíamos, se tivéssemos desde sempre pessoas comprometidas com a educação e o desenvolvimento, mas não foi bem isso que aconteceu e não é o que acontece, você bem sabe disso, ocioso.
Só para exemplificar rapidamente, cobram um atendimento de excelência em bares e restaurantes em São Luís. Sim, o turista está no direito de exigir o que ele encontra na Noruega ou mesmo em Paris, mas como explicar para esse turista que o cara que o está atendendo (e a grande maioria), mal estudou até a quarta série do antigo primário e que isso influencia em todos os movimentos da sua vida, inclusive em falar palavras em inglês, em ter raciocínio lógico, em escrever uma comanda e entender de etiqueta?
Como lutar conta isso?
As ruas da cidade foram construídas quando a população era de duzentas mil pessoas. Para essa quantidade, a estrutura é compatível. Passaram-se muitos anos e nada foi feito.
Não acho que justificar seja a melhor solução. A solução é arrumar, mas enquanto isso, ouço tudo muito compenetrada e fico cá com meus botões, abismada com a ignorância e a arrogância das pessoas.

Se vivêssemos em um país justo, das duas uma: ou todas as pessoas do Brasil teriam as mesmas oportunidades e poderíamos cobrar igualdade em tudo ou as que tem a chance de viver e morar em lugares mais desenvolvidos, entenderiam que o país é cheio de contrastes e que o que se pode cobrar em um canto, não pode se cobrar no outro e que são essas diferenças que fazem desse imenso território um lugar rico e único. 


Peço licença para desabafar. Nada de ócio, viagens ou gastronomia.

Um comentário:

maria faz bolo disse...

oi,querida.eu te entendo.agora vou fazer de conta que estou sendo entrevistada pq estava hoje de passagem por sao luis.um caos.greve de onibus.professores ehospitais.hoje peguei um taxi,olha o turista aí,e o motorista nao quiz ligar o taximetro,pq ele ia cobrar o que ele achava justo.era pegar ou largar.nunca antes na historia desta ilha foi tao dificil viver aqui.uma tristeza,principalmente pra quem ama tanto um lugar como amo minha terra.bjos