Pular para o conteúdo principal

Dia ou Noite?

Desde o tempo dos “cadernos de confidências” das minhas amigas e que tinha a pergunta “Você gosta mais do dia ou da noite?”, eu nunca soube responder. Ficava elencando os fatores positivos e negativos de cada um e dependendo do dia e do humor, respondia aleatoriamente. De lá pra cá sempre me perguntei e nunca tive certeza de nada.
Devido à vida boêmia, sempre preferi a noite, já que é na “naite” que as coisas acontecem: barzinhos, shows, brilhos, eventos...
Ocorre que comecei a trabalhar cedo e sempre com horários sacrificantes. Não me vem na lembrança ter ocupado cargos operacionais (quer dizer, o Piauí foi um capítulo à parte), o que significa estar cedo no trabalho com a mente e o corpo sãos e, necessariamente, ter uma boa noite de sono.
Mas o sono, esse que tudo cura, depende de uma série de fatores: a questão biológica de cada um, luminosidade, barulho, cama confortável, nível alcoólico, estado de espírito, dentre outros. E para cada um de nós, a quantidade de horas dormidas varia para que o corpo e o cérebro estejam em pleno equilíbrio.
Para mim, dormir menos de oito horas me torna intolerante, me deixa com o rosto cansado, de mau humor e sem raciocínio, ou seja, um ser humano desnecessário neste mundo!
Mas o tempo foi passando e o trabalho foi aumentando à medida que comecei a ter dois empregos, incluindo aí a carreira de professora (que muito me orgulho!), nos turnos matutinos e noturnos, ou seja, tenho passado parte dos meus lindos anos economicamente ativos (até bem pouco tempo), trabalhando três turnos de segunda a sexta, incluindo também quase todos os finais de semana, no caso, dedicados a monografias e correção de provas, que me permitam, queridos alunos, afirmar: a parte mais chata de tudo isso!
Pois bem, trabalho intelectual e boa noite de sono são inversamente proporcionais. Há sempre algo a mais para ler, para escrever e nos acostumamos a sacrificar a noite para poder terminar os afazeres que são sempre muitos.
Tenho aos poucos me economizado e investido em qualidade de vida, coisa que ao longo de todo esse tempo esteve esquecida. Já trabalhei tanto, que houve uma época que passei seis meses sem ter um domingo pra descansar. Fase nunca esquecida pelo meu corpo e que a minha cabeça não consegue entender e nem repetir, já que à medida que o salário aumenta o tempo para usufruí-lo diminui.
Não muito recentemente, mas desde que passei a morar sozinha, descobri coisas muito prazerosas como a importância de passar um sábado dedicado aos trabalhos domésticos ou mesmo de fazer uma comidinha e comer com calma, e mais recentemente, de acordar cedo aos finais de semana para fazer caminhadas, algo inconcebível na minha fase “doidivanas”. Acho que isso é o que todos chamam de maturidade. Uma fase onde o simples é o essencial. O extra é desperdício e desperdício não combina com pessoas inteligentes e da geração 2.0.
Tenho aproveitado os meus dias como se não houvesse amanhã. O sol irradia luz, calor, um colorido especial que faz com que você veja as pessoas nos olhos, sem maquiagens e possa apreciar os detalhes de tudo.
A noite foi feita para a recuperação do corpo, para recarregar as energias desperdiçadas durante o dia e porque não, para dormir.
Continuo curtindo uma baladinha, uma boa cerveja e o que a noite proporciona aos seus súditos, mas a fase atual, com menos trabalho e menos dinheiro me fez enxergar outro mundo.
Bem que aqueles “cadernos de confidências” poderiam parar de novo na minha mão. Eu iria dizer que sou uma pessoa do “dia”.

Jornal Cazumbá, Coluna Ócio, Viagens e Gastronomia, março 2011

Comentários

Anônimo disse…
Bia,

Eu viajei no tempo só com essa pergunta, poxa vida!!!Qtas lembranças... mas sabe qual a pergunta que eu mais gostava "O que vc acha da dona do caderno?", lógico que tinha essa e eu claro, dava para Armando ( o meu primeiro namorado) responder e ficava sonhando com que ele escrevia, rrsrsr...adorei o texto!!! E claro, concordo em tudo com a fase zen e e na atual "fase', prefiro o dia!!!

Bjos e um fim de semana pra lá de maravilhoso,

Josi
Lindona! Era mesmo... essa pergunta era a última, não era?
Bom lembrar mesmo... Obrigada e pra você também...

Postagens mais visitadas deste blog

Patinhas de caranguejo ao molho vinagrete

O vinagrete do jeito que eu gosto...

Ingredientes
1Kg de patinha de caranguejo (de preferência do Maranhão, hehe) 2 tomates maduros 1 cebola 1 pimentão verde (que pode ser o da sua preferência) 1 maço de cheiro verde (se você preferir) ou apenas cebolinha 2 limões Sal Azeite para temperar
Modo de preparar
Afervente as patinhas em água com umas pitadinhas de sal. Veja bem, aferventar não é ferver. Basta abrir fervura e elas começarem a ficar cor de rosa, é pra tirar do fogo. Reserve e deixe esfriar. Se ficarem muito tempo no fogo elas ficam duras e na verdade elas devem ficar macias. Após lavar os legumes, corte em pedaços uniformes e bem pequenos, assim como o tomate (que é uma fruta). Para mim, quanto menor, melhor. Misture todos os legumes cortadinhos num bowl, tempere com o suco do limão, sal e bastante azeite. Acrescente um pouco de água filtrada para dar um pouco mais de molho ao vinagrete. Arrume as patinhas num refratário deixando-as com o "cabinho" pra cima. Dessa forma fica mais f…

Raposa, MA - passeio náutico que vale a pena!

Em meio às férias, resolvemos passear de barco pela Raposa, município da área metropolitana da Ilha de São Luís.
O município é pequeno. Grosso modo, deve ter por volta de 35 mil habitantes no máximo.
Tem uma cultura pesqueira muito interessante e também é um polo rendeiro de destaque em São Luís.

A cidade em si, não é muito atraente. São ruas estreitas, com casas, em sua maioria, de madeira, que lembram palafitas, no sentindo mais geral do termo.
Percebe-se a falta de saneamento básico na cidade e uma certa desordem urbana. Basta para isso, percorrer suas ruas para entender do que estou falando. Banheiros improvisados próximos aos mangues e muito lixo acumulado nas ruas e entre as casas é um dos retratos mais gritantes ao darmos uma volta perímetro urbano.

A Raposa surgiu como uma colônia de pescadores, com início na década de 40 do século passado, por pescadores vindos do Ceará e rapidamente tornou-se um reduto cearense, com as mulheres rendeiras desenvolvendo seu trabalho e os pesc…

Óleo composto de soja e oliva. Não caia nessa!

Esses óleos compostos que tanto enganam os comensais espalhados por ai foram feitos para cozer, não para derramar em cima do prato pronto! Foram criados como uma alternativa para quem está com o orçamento apertado ou não tem costume de cozinhar com azeite de oliva.  Para um prato refogado, por exemplo, fica muito saboroso. O problema é que pelo fato de ser mais barato, os donos de alguns restaurantes de segunda, terceira, quarta e quinta categoria substituem o tradicional azeite por esse composto e a turma desavisada, derrama com gosto em cima do prato. Uma maldade! Vejo o povo jogando em cima da salada, sendo que em todos os compostos, 95%  é de óleo de soja e apenas 5% é de azeite (não extra-virgem!). Esperteza do restaurante que ganha por um produto de qualidade inferior e lerdeza do consumidor que não lê o que está consumindo. O consumo de azeite no país tem crescido assustadoramente, à proporção que  a gastronomia ganhou status de ciência e o poder aquisitivo da população melhorou.  De…