quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Onde é melhor_São Luís

Postei aqui semana passada a matéria da Revista Viagem e Turismo sobre São Luís.
Agora publico a seção "Onde é melhor", aquela seção que fica ao final da matéria e dá as melhores dicas para o leitor, tipo aquela agência que deu um passeio, o restaurante que promoveu um jantar etc e tal...
Como eu falei, a matéria é muito verdadeira e fala tudo na cara, sem o romantismo mentiroso da maioria das matérias turísticas. 
Reparem que ele fala bem e fala mal. Detona muitos atrativos e espalha para o mundo que nossas praias estão poluídas. Hunf!

A matéria é do Otávio Rodrigues e as Fotos são do Marcio Vasconcelos.
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Ficar 


O mais elegante é o recém-inaugurado Hotel Luzeiros (Rua João Pereira Damasceno, 2, Farol de São Marcos, 3311-4949, luzeirossaoluis.com.br, diárias desde R$ 381; Cc: A, D, M, V; Cd: M, R, V), com quartos espaçosos, cama queen-size e TV de LCD. Fica próximo a dois cartões-postais - a praia da Ponta d’Areia e a Lagoa da Jansen -, área repleta de opções de hospedagem, algumas menos chiques e mais em conta. Por exemplo, o também novo em folha Veleiros (Avenida dos Holandeses, Ponta d’Areia, 2109-3000, diárias desde R$ 115; Cc: A, D, M, V; Cd: M, R, V), de quartos com janela antirruído e, em cada andar, uma sala com ferro e tábua de passar roupa. Evite as pousadas do centro histórico: apesar de um certo charme à primeira vista, têm serviço precário e, à noite, as lindas ruazinhas são tomadas por viciados e gatunos de ocasião. Em Alcântara, a pousada La Maison du Baron (Rua do Sossego, 10, 3337-1091, lamaisondubaron.com; diárias desde R$ 140), um casarão restaurado e mobiliado em estilo de época, com quartos enormes, camas com baldaquim e dossel, ar-condicionado, TV de LCD e uma varanda que dá para o quintal, onde se desfruta de paz e refeições. Dois quartos têm banheira de hidromassagem. 

Comer 

Xico Noca (Rua 27, quadra 17, nº 24, Angelim, 3236-9059). Entre os pratos tradicionais, arroz de mariscos, caruru, casquinha de caranguejo, torta de camarão e cuxá (à base de camarão seco, farinha e um tipo de verdura azedinha). É esse também o cardápio básico d’O Capote (Avenida Principal, 3, Praia da Raposa, 3229-1512; Cc: A, D, H, M, V; Cd: M, R, V). Fica a cerca de 28 km do centro, mas sua famosa lagosta na brasa compensa a jornada com folga. O Cabana do Sol (Rua João Damasceno 24-A, Ponta do Farol de São Marcos, 3235-2586; Cc: A, D, H, M, V; Cd: M, R, V) serve um pouco de tudo, além do típico. Para refeições vegetarianas, o Naturista (Rua São Pantaleão, 147, centro, 3221-0318; Cc: D, M, V; Cd: M, R, V). E não deixe de conhecer o Cachorro-Quente do Souza (estacionamento da Praia Grande, centro histórico). É um trailer cercado de mesas e cadeiras num canto escuro e malcheiroso, demora para atender e para servir, mas funciona até altas horas e vive cheio de gente. É uma instituição de São Luís e inspirou até um livro, O Monstro Souza, de Bruno Azevêdo, que traz a história de um cachorro-quente que ganha vida ao ser atingido por um raio. 

Passear 

O centro histórico é ótimo para lacear o sapato, subindo e descendo ruazinhas e escadarias (faça isso durante o dia, quando o comércio está aberto e há maior movimento). Mesmo os casarões em mau estado - e não são poucos - intrigam e comovem. O roteiro deve incluir o Tea­tro Arthur Azevedo (Rua do Sol, 180, 3218-9900), o Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua do Sol, 302, 3218-9920), com peças de mobiliário e objetos dos séculos 19 e 20, e o anexo Museu de Arte Sacra. Logo ali fica a Fonte do Ribeirão (entre as ruas do Ribeirão, dos Afogados e das Barrocas), do século 18, com suas carrancas esculpidas em pedra. A Matriz da Sé (Praça Dom Pedro II, 3222-7380), construída por jesuítas, tem o altar-mor revestido de ouro. A Casa de Nhozinho (Rua Portugal, 185, 3218-9951) homenageia a obra desse artesão, célebre na arte da talha de buriti e em miniaturas do auto do boi, entre outras peças da chamativa cultura popular maranhense. No Palácio dos Leões(Avenida Dom Pedro II, 3232-9789), fortaleza construída pelos franceses no início do século 17, hoje funciona a sede do governo estadual. Alguns salões com móveis de época e obras de arte podem ser visitados. Seguindo pela Rua da Palma chega-se à Igreja do Desterro (Largo do Desterro), que ocupa o local da primeira capela construí­da na cidade. O cenário é arrebatador. Perto do Mercado Central, sombreada pelas árvores, a Fonte das Pedras (Rua Antônio Rayol). Para um mergulho na cultura afro-brasileira, a Casa Fanti-Ashanti (Rua Militar, 1158, Cruzeiro do Anil, 3225-1078), terreiro comandado por Euclides Menezes Ferreira, um dos mais renomados pais de santo do Brasil. Ligue antes de ir. Na Avenida Litorânea, a calçada generosa convida a boas caminhadas e muita água de coco. Mas não se empolgue: a orla é superpoluída, incluindo a areia. Uma exceção é a Praia do Araçagy, a 25 minutos do centro. Nada é perfeito: ali ainda se permitem circulação de carros e som de porta-malas com pagode-bunda em alto volume. Seguindo adiante outros 20 minutos vem a Praia da Raposa, lugar para passeios de barco entre mangues e dunas (Janiotur, 8827-6201). Não deixe de visitar Alcântara, do outro lado da Baía de São Marcos (lanchas partem diariamente do cais da Praia Grande). Paradíssima no tempo no que diz respeito à arquitetura e ao progresso da população, a faustosa cidade dos séculos 18 e 19 hoje acomoda uma base de lançamento de foguetes que, para ser construída, expulsou moradores e estimulou o surgimento de favelas. Convém ter um guia para os passeios por lá e não zanzar à noite. Vá até a Ilha do Livramento (8127-1524), diante de Alcântara. Dona Mocinha, sua única moradora, planeja construir ali um misto de pousada e spa. Combinando, ela manda o barco. Tudo está em formação, mas dá para comer um peixinho fresco feito na hora. Para ir além de São Luís e Alcântara, há um bom cardápio de excursões em agências locais como a Uimar Jr. Turismo (3227-2369).



Agitar 

As radiolas não têm endereço, vivem de lá pra cá. A caça começa à noite, quando as maiores e mais poderosas divulgam a agenda da semana nos programas de rádio. Sintonize as FMs Cidade, Difusora e Mirante e fique ligado nas Itamaraty, FM Natty Naifsom, Black Power e FM do Clubão. Muitas festas acontecem em locais distantes e mal policiados; por isso é um programa bom de se fazer com alguém da cidade (sobre como se enturmar, ficamos devendo). Uma alternativa é pegar o reggae de beira de praia no Chama Maré (Avenida São Marcos, 8, Ponta d’Areia, 8125-2423). Começa às 17h de domingo, com o pôr do sol mais lindo da ilha, mas esquenta mesmo a partir das 21h. Os DJs Neto Miller e Ademar Danilo (o dono) atraem a galera tocando sucessos de todos os tempos e não apenas os hit parades. O Bar do Léo(Rua 104, Hortomercado do Vinhais), com seu admirável acervo de discos, fotos e objetos de época exposto como em um museu. Quem se interessa pelos tesouros da música brasileira fica amigo do Léo na hora. Vá de táxi: tem cerveja geladíssima e cachaças especiais. As barracas de praia da Avenida Litorânea têm comida, bebida, música ambiente e ao vivo. Por favor, faça o toalete completo antes de ir: banheiros à beira de praia acabam poluindo o solo e a água.

Comprar

Em matéria de artesanato, o comércio no centro histórico tem mais variedade, alegria e preço que o Ceprama, outrora um entreposto cheio de vida, hoje um galpão decadente e lúgubre. A Arte Indígena (Rua do Giz, 66, loja 3, 3221-2940) reúne trabalhos de tribos do Maranhão, em especial bolsas e cestaria com trama de buriti, colares e outros adereços. Na Ilha Bela (Rua Portugal, 248, 3222-5015) e em outras lojas na mesma rua há coisinhas típicas, de camisetas a miniaturas. O Ateliê Mão na Massa (Rua de Nazaré, 264, 3232-5957) produz janelinhas coloniais de cerâmica. A Rodrigo CDs Maranhense (Rua João Vital, 42, 3232-4799), no singular mesmo, tem artistas da terra, bumba meu boi, tambor de crioula e outros sons que não existem na internet. Na Casa das Tulhas (Rua da Estrela, 184) e noMercado Central (Avenida Magalhães de Almeida) encontra-se o comércio mais autêntico, que vai do peixe fresco a cachaças, peças de ferro fundido e um sem-fim de bugigangas. Vale a pena a jornada de 40 minutos para conhecer as rendeiras da Praia da Raposa, que parecem ter saído de alguma praia do Ceará - e saíram mesmo! Há algum tempo algumas famílias subiram o litoral e se estabeleceram ali. Hoje a principal rua da vila é um presépio de toalhas de mesa, camisas, saias e vestidos de renda de bilro, tudo exposto na varanda de casinhas simples que bem podiam ser de boneca. A gente entra e conhece a artesã ou o artesão (há bons deles por lá), vê o trabalho que dá fazer, por exemplo, um caminho de mesa... Valem cada centavo - tente não regatear. Para fechar, a Catuaba Composta, a Bom Que Dói, a Colinense e outras bebidas e pimentas produzidas artesanalmente por seu Tonico Santos, pai de Zeca Baleiro. Encomendas pelo e-mail catua bacomposta@hotmail.com.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi B,

Essa matéria esta na "viagem e turismo" desse mês? Perdi o começo...ou não lembro se li, me fala para eu comprar.

Bjocas,

Josi

Ócio, viagens e gastronomia disse...

Sim amore, isso mesmo. Capa: A vida boa nos Resorts de praia.
Corre e compra. Tá linda!