sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Feliz Ano novo. O meu começou em agosto.

Viver numa grande cidade não é uma das tarefas mais fáceis, mas também não é das mais difíceis. Inúmeros são os desafios diários para alguém que tinha como limites territoriais São José de Ribamar de um lado, o Anjo da guarda de outro, a Avenida Litorânea e Humberto de Campos fechando o quadrado.
É claro que essa divisão não tem nada de oficial, apenas representa o que minhas atividades pessoais permitiam cotidianamente.
Para os padrões nordestinos, São Luís é uma cidade de porte médio, com muitas facilidades, novidades, diversão e na mesma proporção, os problemas estruturais e urbanísticos, que convenhamos, estão no limite da paciência e da permissividade dos ludovicenses.
Comparada com algumas cidades do Sudeste, a Ilha de Upaon Açú é pititica! Ora, 1 milhão de habitantes existe só na Zona Oeste de São Paulo, a região menos populosa da capital paulista!
E é por essas e por outras que a cada dia, aprendo um pouco mais e venço uma nova batalha.  Poderia até dizer que meu ano novo iniciou no mês de agosto, mês em que mudei para São Paulo, a maior cidade da América Latina. Já consigo ter uma leve (eu disse, leve) noção sobre uma região ou outra, mas falando a grosso modo, acredito que você pode viver a vida inteira nessa cidade e não conhecê-la por inteiro.
Os meus principais desafios nessa megalópole estão divididos em quatro, que são: domésticos, relacionados à logística, os de relacionamento e os piores, os econômicos.
Os desafios domésticos são bobos, mas atrapalharam um pouco. Hoje já não os tenho, mas cair de paraquedas em meio a edredons, aspiradores e tempo frio é de lascar.
Até bem pouco tempo não sabia se a roupa estava seca e gelada por causa do clima ou se ainda estava enxambrada. Demorei pra me acertar com isso. Muitas vezes precisava da ajuda de outras pessoas para me dizer qual era o estado real da roupa.
Manusear um aspirador de pó nunca antes nesse país usado por essa ociosa foi um super desafio, assim como lidar com as mantas e edredons. Não, não estou falando dos edredons que tinha em casa por causa do ar condicionado do quarto, não! O volume é outro e manter, comprar e lavar é completamente diferente!
Em relação à logística a coisa é desastrosa! Ônibus, carros, metrôs e trens em quantidade não são suficientes para o tanto de gente que existe nessa cidade. Se fizerem mais, não tem como por nas ruas. Os números são confusos, os terminais gigantes, as estações confundem e dá pra você se sentir uma formiga em meio a elefantes, basta ficar no meio de qualquer estação na hora do rush! Como moro na zona leste e trabalho na zona sul, para chegar ao trabalho pego ônibus e metrô para ir e voltar. Nada que não seja amenizado com uma música boa ao chegar em casa...
São Paulo é cosmopolita. Tem gente de todo lugar do mundo. Tem gente vinda dos quatro pontos cardeais e a soma disso com os paulistanos dá uma mistura explosiva! Você é capaz de encontrar numa mesma sala pessoas expansivas e muito retraídas, que não te dão chance de se aproximar.
Esse detalhe às vezes não é percebido logo de “primeira”. Nós, nordestinos sinsinhô, somos alegres, pra cima, abraçamos com muita facilidade e temos mania de contar a nossa vida para todo mundo. Calma. Aqui, não!
Ninguém quer saber da sua vida e o que você faz, pouco interessa. Continue fazendo, mas sem falar pra ninguém!
E por último, um desafio, que na minha opinião verdadeira é uma chatice: o dinheiro!
Você tem vontade de comprar tudo a toda hora. Tem vontade de comer tudo das prateleiras e de experimentar as novidades, que diga-se de passagem, tem aos montes.
Tudo o que você imaginar, existe! Tem logo ali e você pode comprar a qualquer hora e esse é o problema! Não há dinheiro que dê!!! As tentações são enormes. As provocações estão no ambiente, uma loucura.
Por outro lado, vejo a cidade como muito democrática também. Você pode ir na 25 de março comprar brincos bacanas a dez reais ou ir na Oscar Freire e comprar outros de dez mil! Vai do seu bolso e gosto.
Os desafios são imensos, é verdade, mas cada dia é um novo dia para conhecer, aprender e se acostumar.
Que o ano novo traga para você sabedoria, novos desafios e a vontade de aprender mais e mais, porque o meu, começou há seis meses!
Boas Festas e até o ano que vem.

Jornal Cazumbá. Dez 2010.

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