Pular para o conteúdo principal

Feliz Ano novo. O meu começou em agosto.

Viver numa grande cidade não é uma das tarefas mais fáceis, mas também não é das mais difíceis. Inúmeros são os desafios diários para alguém que tinha como limites territoriais São José de Ribamar de um lado, o Anjo da guarda de outro, a Avenida Litorânea e Humberto de Campos fechando o quadrado.
É claro que essa divisão não tem nada de oficial, apenas representa o que minhas atividades pessoais permitiam cotidianamente.
Para os padrões nordestinos, São Luís é uma cidade de porte médio, com muitas facilidades, novidades, diversão e na mesma proporção, os problemas estruturais e urbanísticos, que convenhamos, estão no limite da paciência e da permissividade dos ludovicenses.
Comparada com algumas cidades do Sudeste, a Ilha de Upaon Açú é pititica! Ora, 1 milhão de habitantes existe só na Zona Oeste de São Paulo, a região menos populosa da capital paulista!
E é por essas e por outras que a cada dia, aprendo um pouco mais e venço uma nova batalha.  Poderia até dizer que meu ano novo iniciou no mês de agosto, mês em que mudei para São Paulo, a maior cidade da América Latina. Já consigo ter uma leve (eu disse, leve) noção sobre uma região ou outra, mas falando a grosso modo, acredito que você pode viver a vida inteira nessa cidade e não conhecê-la por inteiro.
Os meus principais desafios nessa megalópole estão divididos em quatro, que são: domésticos, relacionados à logística, os de relacionamento e os piores, os econômicos.
Os desafios domésticos são bobos, mas atrapalharam um pouco. Hoje já não os tenho, mas cair de paraquedas em meio a edredons, aspiradores e tempo frio é de lascar.
Até bem pouco tempo não sabia se a roupa estava seca e gelada por causa do clima ou se ainda estava enxambrada. Demorei pra me acertar com isso. Muitas vezes precisava da ajuda de outras pessoas para me dizer qual era o estado real da roupa.
Manusear um aspirador de pó nunca antes nesse país usado por essa ociosa foi um super desafio, assim como lidar com as mantas e edredons. Não, não estou falando dos edredons que tinha em casa por causa do ar condicionado do quarto, não! O volume é outro e manter, comprar e lavar é completamente diferente!
Em relação à logística a coisa é desastrosa! Ônibus, carros, metrôs e trens em quantidade não são suficientes para o tanto de gente que existe nessa cidade. Se fizerem mais, não tem como por nas ruas. Os números são confusos, os terminais gigantes, as estações confundem e dá pra você se sentir uma formiga em meio a elefantes, basta ficar no meio de qualquer estação na hora do rush! Como moro na zona leste e trabalho na zona sul, para chegar ao trabalho pego ônibus e metrô para ir e voltar. Nada que não seja amenizado com uma música boa ao chegar em casa...
São Paulo é cosmopolita. Tem gente de todo lugar do mundo. Tem gente vinda dos quatro pontos cardeais e a soma disso com os paulistanos dá uma mistura explosiva! Você é capaz de encontrar numa mesma sala pessoas expansivas e muito retraídas, que não te dão chance de se aproximar.
Esse detalhe às vezes não é percebido logo de “primeira”. Nós, nordestinos sinsinhô, somos alegres, pra cima, abraçamos com muita facilidade e temos mania de contar a nossa vida para todo mundo. Calma. Aqui, não!
Ninguém quer saber da sua vida e o que você faz, pouco interessa. Continue fazendo, mas sem falar pra ninguém!
E por último, um desafio, que na minha opinião verdadeira é uma chatice: o dinheiro!
Você tem vontade de comprar tudo a toda hora. Tem vontade de comer tudo das prateleiras e de experimentar as novidades, que diga-se de passagem, tem aos montes.
Tudo o que você imaginar, existe! Tem logo ali e você pode comprar a qualquer hora e esse é o problema! Não há dinheiro que dê!!! As tentações são enormes. As provocações estão no ambiente, uma loucura.
Por outro lado, vejo a cidade como muito democrática também. Você pode ir na 25 de março comprar brincos bacanas a dez reais ou ir na Oscar Freire e comprar outros de dez mil! Vai do seu bolso e gosto.
Os desafios são imensos, é verdade, mas cada dia é um novo dia para conhecer, aprender e se acostumar.
Que o ano novo traga para você sabedoria, novos desafios e a vontade de aprender mais e mais, porque o meu, começou há seis meses!
Boas Festas e até o ano que vem.

Jornal Cazumbá. Dez 2010.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Patinhas de caranguejo ao molho vinagrete

O vinagrete do jeito que eu gosto...

Ingredientes
1Kg de patinha de caranguejo (de preferência do Maranhão, hehe) 2 tomates maduros 1 cebola 1 pimentão verde (que pode ser o da sua preferência) 1 maço de cheiro verde (se você preferir) ou apenas cebolinha 2 limões Sal Azeite para temperar
Modo de preparar
Afervente as patinhas em água com umas pitadinhas de sal. Veja bem, aferventar não é ferver. Basta abrir fervura e elas começarem a ficar cor de rosa, é pra tirar do fogo. Reserve e deixe esfriar. Se ficarem muito tempo no fogo elas ficam duras e na verdade elas devem ficar macias. Após lavar os legumes, corte em pedaços uniformes e bem pequenos, assim como o tomate (que é uma fruta). Para mim, quanto menor, melhor. Misture todos os legumes cortadinhos num bowl, tempere com o suco do limão, sal e bastante azeite. Acrescente um pouco de água filtrada para dar um pouco mais de molho ao vinagrete. Arrume as patinhas num refratário deixando-as com o "cabinho" pra cima. Dessa forma fica mais f…

Raposa, MA - passeio náutico que vale a pena!

Em meio às férias, resolvemos passear de barco pela Raposa, município da área metropolitana da Ilha de São Luís.
O município é pequeno. Grosso modo, deve ter por volta de 35 mil habitantes no máximo.
Tem uma cultura pesqueira muito interessante e também é um polo rendeiro de destaque em São Luís.

A cidade em si, não é muito atraente. São ruas estreitas, com casas, em sua maioria, de madeira, que lembram palafitas, no sentindo mais geral do termo.
Percebe-se a falta de saneamento básico na cidade e uma certa desordem urbana. Basta para isso, percorrer suas ruas para entender do que estou falando. Banheiros improvisados próximos aos mangues e muito lixo acumulado nas ruas e entre as casas é um dos retratos mais gritantes ao darmos uma volta perímetro urbano.

A Raposa surgiu como uma colônia de pescadores, com início na década de 40 do século passado, por pescadores vindos do Ceará e rapidamente tornou-se um reduto cearense, com as mulheres rendeiras desenvolvendo seu trabalho e os pesc…

Óleo composto de soja e oliva. Não caia nessa!

Esses óleos compostos que tanto enganam os comensais espalhados por ai foram feitos para cozer, não para derramar em cima do prato pronto! Foram criados como uma alternativa para quem está com o orçamento apertado ou não tem costume de cozinhar com azeite de oliva.  Para um prato refogado, por exemplo, fica muito saboroso. O problema é que pelo fato de ser mais barato, os donos de alguns restaurantes de segunda, terceira, quarta e quinta categoria substituem o tradicional azeite por esse composto e a turma desavisada, derrama com gosto em cima do prato. Uma maldade! Vejo o povo jogando em cima da salada, sendo que em todos os compostos, 95%  é de óleo de soja e apenas 5% é de azeite (não extra-virgem!). Esperteza do restaurante que ganha por um produto de qualidade inferior e lerdeza do consumidor que não lê o que está consumindo. O consumo de azeite no país tem crescido assustadoramente, à proporção que  a gastronomia ganhou status de ciência e o poder aquisitivo da população melhorou.  De…