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Essa é a história que contarei para meus filhos um dia!_ Por Catarina Adamo*


Como começar um texto quando uma amiga querida nos dá a chance de falar sobre um dos maiores momentos da minha vida (até agora)?
Vou começar dizendo que cresci ouvindo música “de gente grande”, e apesar de todas as influências sofridas por todos nós durante a adolescência, é da “música de gente grande” que gosto. Nessa classificação costumo colocar Beatles (sempre número 1 da lista), Bee Gees, Cazuza, Caetano, Beatles e...Beatles.

O gosto pelos meninos de Liverpool foi herdado de meu pai, que até já teve uma banda quando adolescente. Mas o que importa aqui é que felizmente eu tive a chance de ir ao show de Paul McCartney nesse último domingo (21/11/10).

Essa é, portanto, a história que um dia contarei para meus filhos, netos, e todos aqueles que puxarem o gosto musical da família Adamo (porque meu tio e prima também são grandes fãs).
Devo confessar que quase desisti de ir ao show quando soube o valor dos ingressos e depois quando não consegui efetuar a compra pelo site. Mas felizmente minha amiga Ciça fez várias super compras pelo site de ingressos e me revendeu duas meias-entradas da cadeira cativa inferior. O que isso significava para mim, leiga de estádio e de shows? Absolutamente nada, só sei que me soou bom porque era bem caro!

Cheque assinado, ingressos comprados e só me restou esperar até que Ciça me entregasse as tão sonhadas entradas. Claro que um show não é simplesmente algumas horas de fila e tumulto, eu tinha que comprar uma camiseta temática para homenagear meu querido Sir Paul. E lá fui eu, em um sábado chuvoso, até a galeria do Rock, no centro de São Paulo. Cerca de duas semanas depois, os ingressos me foram entregues na sexta feira, dia 19/11/10.


Somente no sábado, dia 20, comecei a me preocupar sobre como faríamos para chegar ao estádio do Morumbi, que é bem longe da Mooca. Sem nenhuma resposta, eu e Igor fomos dormir tarde no sábado, mas com relógio para despertar.
Depois de um almoço reforçado e comprinhas de guloseimas para levarmos na mochila para dentro do Morumbi, partimos rumo à Av. Dr. Arnaldo, 500 onde supostamente pegaríamos um ônibus até a rua do estádio. Claro que não foi bem assim, o ônibus não passava e acabamos rachando um taxi com uma moça de Londrina e seu irmão, que mora por aqui.
A fila estava homérica, andamos para cima e para baixo perguntando sobre a fila até que, finalmente, encontrei o último casal da fila para entrada pelo portão 17. Atrás de nós uma família de Recife, com quem fizemos amizade e passei 1h30min deliciando o sotaque dos três. Um pouco mais a frente, na fila para entrada pelo portão da Pista Prime, havia um grupo de rapazes cantando as canções dos Beatles (e nenhuma da carreira solo do Sir Paul).



Quando os portões finalmente começaram a abrir, a fila para o portão 16 (que estava na nossa direita) começou a andar primeiro, e o pessoal que até então era muito animado e amigo começou a enfrentar problemas de “relacionamento”. O empurra foi leve, mas o bate boca foi pesado. Pouco depois nossa fila andou, e passamos para a fila da revista. A PM estava checando nossos pertences e não podíamos entrar com latas, garrafas e máquina profissionais. Ao nosso lado era a entrada da imprensa, então tive a chance de tirar uma foto do Zeca Camargo, que é bem maior do que eu pensava. E bem mais grisalho.


Nesse momento meu coração já estava disparado. Apesar de faltar 4 longas horas para início do show, eu precisava encontrar um bom lugar para ficar, e só assim eu ia relaxar. E felizmente foi assim! Sentamos na terceira fileira das cadeiras cativas, ninguém que ficasse em pé na minha frente me atrapalharia, ninguém me encostava e empurrava, o palco estava claro na minha frente e eu enxergava os microfones, então tinha certeza que seria capaz de distinguir os músicos quando o show começasse!




Lá pelas 21h25 o palco já estava aceso, as luzes tinham sido testadas, as saídas de emergências nos tinham sido apresentadas e a multidão estava em pé, olhando fixamente para o palco, pois a qualquer momento o grande astro poderia surgir. Por volta de 21h40 ele surgiu! Vestindo seu blazer azul claro com seus suspensórios escondidos, o grande evento do ano começou.



Foi ao som de “Venus and Mars/Rock Show” que ele entrou. A gritaria foi geral, todo mundo cantando e Paul se emocionando antes de pegar fôlego para nos entreter por duas horas seguidas sem intervalo, e sem nem sequer um gole d’água.



Bom, diversas vezes Paul McCartney deixou de lado a língua mãe Britânica e falou no nosso bom português. O plural e a concordância estavam impecáveis, e as frases já decoradas eram “Boa noite” “São Paulo” “Bonito”, que foram repetidas algumas vezes sem o uso da cola que estava fixada no chão do palco.



Eu conhecia todas as músicas cantadas e fiz vários vídeos. Tirei no total 392 fotos, e confesso que em 3 momentos foi impossível segurar as lágrimas:
O primeiro deles foi quando Paul disse na nossa língua “Essa música, eu escrevi para meu amigo John”. A música “Here today” fez muita gente se emocionar não só pela homenagem proferida antes da melodia, mas pela mensagem e letra da música. O segundo momento foi algum tempo depois, quando a frase “Essa música é uma homenagem para meu amigo George” foi pronunciada com a mesma perfeição que a da primeira homenagem. Nesse momento, a escolha foi “Something”, e fotos de George Harrison apareceram no telão ao fundo do palco. O terceiro momento de grande emoção eu não sei explicar, mas foi ao som de “Blackbird” que passou pela minha cabeça algo como “Nossa, eu vim, ele tá ali e é fantástico”.


Outra homenagem foi feita quando Paul dedicou uma música a todos os casais presentes quando disse “Essa música eu escrevi para minha gatinha Linda, mas hoje ela é para todos os namorados”, com tamanha perfeição que parecia que ele estava estudando o português por mais de um ano. E a melodia, para que ainda não sabe, é “My Love”.



Por diversos momentos Paul interagiu com a plateia, nos aquecendo com gritos e frases para cantarmos com ele. Vimos reboladinhas, dancinha do baterista ao som de “Dance Tonight” e tombo (ou será que foi proposital) de um guitarrista.


Mas não foi só o astro da noite que fez surpresas para nós. O público havia combinado algumas homenagens para surpreendermos o cantor. Entre elas, a música “She loves you” teria sua letra alterada para “We Love you”, porém, como ele não cantou esta canção, fizemos a homenagem sem fundo musical, somente para que ele soubesse que tivemos essa intenção. A resposta dele? “It’s very beautiful. I Love you”. Outra homenagem foi a chuva de balões brancos durante a música “Give Peace a chance”, em que a platéia balançou balões brancos. Isso sem contar que a cada minuto sem músicas e sem brincadeiras do ex-Beatle, a multidão gritava “Paul, Paul, Paul” em ritmo frenético.

Antes do primeiro intervalo (que aconteceu mais de duas horas depois do início do show), “Hey Jude” foi tocada com muito calor por parte de todos. Como é uma música consideravelmente longa, em comparação com as outras, Sir McCartney resolveu dar corda pedindo para que primeiro só os homens cantassem, depois só as mulheres e, por fim, todos juntos. O pedido foi, mais uma vez, em português e nós, claro, obedecemos com muito prazer. O intervalo foi feito rapidamente e o público continuou a cantar até que o Sir de Liverpool entrou novamente carregando a bandeira do Brasil ao lado da bandeira da Grã-Bretanha, causando euforia em todos.

“Sgt. Pepper's lonely hearts club band” foi a música escolhida para encerrar de vez o show, depois de dois intervalor curtos e todas as emoções descritas. O agradecimento “a minha banda fantástica” e o “agora vamos embora” deixou claro que aquele era mesmo o fim.
Nunca tinha ido a um show, estou deslumbrante com o que vi e posso dizer que valeu cada centavo, cada minuto de espera e de curtição. Espero que ele volte, e que não leve mais tombos (que eu não filmei).

“Paul, we love you yeah, yeah, yeah”

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*Catarina Adamo é graduada em Letras e Pós Graduada em Tradução. Mesmo com uns dias de atraso, dada a magnitude do evento, achei válido postar.
Vamos diariamente juntas para o trabalho. Nunca pensei em fazer uma amiga na parada de ônibus, mas como a vida é cheia de surpresas....

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