terça-feira, 28 de setembro de 2010

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Nunca fui vítima de um preconceito grosseiro, ofensivo, mas percebo o preconceito nas entrelinhas, nos olhares e nos conceitos, embora isso não me abata.
Me sinto muito bem em trazer comigo uma história diferente, “causos” que animam uma boa roda de conversa e a alegria de poder abraçar e tocar as pessoas sem culpa.
Papai sempre me falou disso e perguntou várias vezes se queria vir estudar aqui mesmo. Sempre teve medo de eu me sentir excluída. Disse a ele que sim. Expliquei que na nossa terra, é muito mais reconhecido quem vem "de fora”, mesmo sabendo menos.
Basta ser bom de conversa, de “papo”, de “lábia” e pronto! As portas estarão abertas e o dinheiro e a boa vida chegarão até você. Isto é, vindo de “fora”!
As pessoas do Sudeste e do Sul, mais precisamente os paulistas e cariocas acham que o Brasil se resume a “eles”. Vêem as pessoas “por cima” e com arrogância. Acham que eles detém a força motriz que movimenta o país, o que é muito triste.
Seríamos um país mais desenvolvido se fôssemos mais equânimes em nossos julgamentos e em nossas ações.
Um sentimento de “pertencer” mais igualitário permitiria um olhar mais carinhoso para o país e para as pessoas que aqui vivem.
E a vida seria melhor...
Hoje no metrô, em uma das estações mais turbinadas as oito da manhã(Paraíso), ao abrirem as portas, uma verdadeira avalanche de gente entrou e foi imprensando todo mundo que estava bem instalado (inclusive essa que vos escreve). Uma senhora que entrou com a “muvuca” foi completamente esmagada e botou a boca no trombone. Saiu gritando e esculhambando tudo e todos. Gritava aos quatro ventos se aquelas pessoas nunca tinham visto um trem. Se por acaso eram do Nordeste. Se eram do Ceará (?!).
Essa senhora que aparentava não ter muitas posses, inclusive não dispunha de dois dentes (logo na frente!) e era negra, não tem culpa do que estava falando. Ela também é vítima do pensamento da sociedade em que ela vive. Falou assim para se sentir melhor. Para dizer que tem alguém pior que ela.
Lamentável!
Esse tipo de comentário leva a crer que no Nordeste não há a possibilidade de se saber das coisas ou mesmo que as pessoas dessa região são inferiores. Isso é implantado na cabeça das pessoas desde crianças.
É reflexo de uma política social injusta, de uma educação equivocada, que infelizmente se faz presente no Nordeste também, que rende homenagens a todos que vem “de fora”, como se fossem seres superiores.
O Nordestino por aqui parece o negro escravizado.
As pessoas de "fora" no Nordeste continuam sendo os brancos latifundiários donos das fazendas de café.
Realmente lamentável.

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