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Mobilidade Precária


Tenho mobilidade precária. Explico: não é nada de sedentarismo (ham ham) ou incapacidade de locomoção, é falta de carro mesmo!
Tenho mil motivos pra ter um carro e dois em especial me limitam a tê-lo nesse momento: pretendo logo logo, mudar de casinha e vender carro dá trabalho, pode dar problema em relação a tempo e mais algumas coisinhas de família.
O outro motivo é que bebo. Bebo socialmente é claro, mas como costumo ter uma vida social intensa, a bebida vai na mesma proporção (sic)! Bebida e direção não combinam e já visualizo as inúmeras noites em que iria voltar de taxi, deixando o carro estacionando em algum lugar inseguro, digo, próximo a bares e botecos.
Diante disso, ando de táxi.
Ando há dez anos de taxi e com um grupo muito seleto de taxistas que viraram amigos. É claro que não estou há dez anos tentando mudar de casinha, os anos pra trás são recheados de muito trabalho e pouco dinheiro. O fato é que não tenho problemas em não ter carro e já consegui empregos em que era essencial ter (acho que sou boa de lábia hehe)!
Nesses anos pra lá e pra cá em táxis dos mais diversos e quase diariamente, me permito falar um tanto com propriedade desse assunto. Sei quanto vai dar o valor das corridas pra todos os lugares por aqui. Em bandeira 01 e bandeira 02!
O táxi é um tipo de serviço considerado importante para a comunidade e essencial dentro da cadeia produtiva do turismo. Assim como todos os outros serviços, deveria ser impecável. Somos nós, os clientes, que os procuramos. Eles ficam paradinhos, esperando a morte chegar.
Ultimamente tenho passado por poucas e boas e nunca na história desse país vi um serviço tão ruim!

Tudo começa pelo fato de não ser um serviço igualitário. Em cada cidade há uma regra, uma lei.
Taxis em aeroportos são uma loucura. Há os VIP’s, os executivos e os comuns. Em cada lugar uma cor, um procedimento e uma forma de pagar. Os mais caros do país são no Rio de Janeiro e São Paulo. Peguei um ladrão no Rio que me cobrou R$ 6,50 pela tarifa mínima. Fui roubada, é claro!

Saindo de aeroportos é mais caro. De hotel também. Pegando na rua, um pouco mais barato! Os do Rio além do preço do taxímetro há a necessidade de olhar uma tabela extra. Os preços são arredondados e você nunca sabe se é aquilo mesmo que a tabela indicou. Em outros lugares, além do valor da corrida, há os valores das bagagens. Não dá pra acreditar!

Os horários das “bandeiras” também muda de lugar pra lugar. O mês de dezembro fica inteiro na bandeira 2 em diversas capitais. “É pra compensar a falta do décimo terceiro”, dizem. E digo eu: “não consigo acreditar nessas coisas do eu país!”

Em Pernambuco, você passa da bandeira 1 para a 2 ao cruzar a linha divisória que anuncia Olinda. Pensa que o taxista te avisa? Não! Adivinhe se puder!
Essa manobra faz você ficar completamente perdida em relação a preço, pois saindo de Recife para Olinda fica mais barato e de Olinda para Recife mais caro, já que você entra na bandeira 2 muito tempo depois. Esqueça, não dá pra entender por aqui. Tem que vier!

Ano passado em uma das visitas ao Rio, na volta pra casa, flagrei um taxista bêbado. Pedi pra parar minutos após entrar, fiquei em outro ponto e tomei mais outro. Fiquei tensa com a situação e a volta já não foi tão gratificante.

Agora aqui em São Luís a moda é não fazer “corridas pequenas”. Já sofro com isso há anos. A faculdade que sempre dei aula fica há 10 minutos da casa da minha mãe, mas sem ônibus e sem via de pedestres. Só o táxi salva!
Vários eram os motoristas que se escondiam de mim quando eu chegava ao posto ou que mesmo diziam que na faziam “corridas pequenas”. Tão logo aprendi a reconhecer os que podiam me conduzir e os que me ignoravam e assim achei seu Ubaldo e vivi feliz para sempre.

São Luís é uma cidade de ruas estreitas, muitas voltas e paralelepípedos por todos os lados. Nossos saltos são inimigos da elegância e muito amigos do cansaço, logo um taxi daqui pra ali é uma boa pedida.

- Podemos, Sr?
- A Sra. vai pra onde?
- Por quê?
- Porque dependendo de onde a senhora vá, eu não posso levar.
(saindo fumacinha dos meus ouvidos...)
- Vou á Rua do Giz, no Centro Histórico
- Eu não costumo levar, mas vou levar a senhora.
Entrei no táxi e perguntei o porquê dessa novidade em vários táxis e que já tinha passado por caso semelhante há duas semanas. Depois de uma explicação sem pé nem cabeça, informei que iria denunciar no jornal e inclusive dei uma sugestão de colocarem placas do lado de fora informando o que pode e o que não pode (!?!).
Após essa conversa afável, ele se explicou e me deu desconto, informando que sou a melhor amiga dele, dá pra acreditar?
Flagrei há um tempo (essa minha mania de “marocar” é incrível) um taxista conversando e dizendo que não faz corridas pequenas porque é aposentado e que já tem uma renda para pagar o carro. Com a minha ira peculiar para serviços ruins, tive vontade de voar no pescoço dele e explicar que nós, pobres clientes, não temos nada com isso e que se ele não é um prestador digno, que se resuma à sua aposentadoria.

Fico tão indignada com essas coisas! Não consigo acreditar que um serviço como esse, que se paga caro seja desdenhado dessa forma.
Já passei por inúmeras situações que vão desde o taxista querer ouvir música alta (detalhe, são sempre as piores) e não baixar mesmo após eu pedir, quanto o cara querer me deixar um ponto antes do meu destino final para “pegar” outro cliente que acionou o dedinho numa parada qualquer.
Não estou aqui falando de todos. Existem ótimos prestadores desse serviço e as exceções são as laranjas podres que podem estragar tudo. Todos os serviços.

Para o turismo isso é péssimo! Quando volto do dentista, peço sempre para ir à Praça Benedito Leite (endereço do escritório e tradicional endereço turístico da cidade) e nenhum, absolutamente nenhum taxista sabe onde fica. Tomo um calmante, explico pacientemente e volto ao trabalho reclamando sozinha.

E agora estou em casa sofrendo de mobilidade precária triplamente, já que a cidade amanheceu com greve de ônibus e os táxis estão todos ocupados.

Esse texto veio em boa hora...

Comentários

maria faz bolo disse…
oi,amore.deixa eu te contar que quando eu cheguei em são paulo,o bonito do taxista me deu uma volta,mesmo eu tendo dito rua mazini aclimação ,ele entendeu que era no centro.quando passamos pela aclimação que eu vi a placa e avisei ele,levou um susto se desculpou,foi pela liberdade até o destino.não sei se era burro ou esperto,só sei que foi R$ 50,00.jocelma ficou louca.causos.
ivo choro disse…
É Beatrice!!
realmente falta muita qualificação no serviço de Taxi deixa muito a desejar, sempre em minhas viagem procuro me informar dos itinerarios, para quando o motorista a fatidica pergunta: "O Sr. deseja ir por onde", eu sujiro uma determinada avenida, para escapar de umas voltinhas a mais. E tambem acho um descaso muitos dos carros de taxi não terem ar condicionado, principalmente e São Luis.
Bjus
ivo choro
Rê Marques disse…
Ai, fico tão feliz quando acho alguém que também não dirige por opção. No mundo de hoje para que não dirigir é como não escrever. Todo mundo se incomoda.

Sobre o serviço de táxi em São Luís, realmente deixa a desejar.
Aqui em João Pessoa, quando vou ao supermercado e tem muito pra carregar, eu pego táxi praticamente só pra atravessar a rua. O táxi sai por 4,50 (sendo 3,00 a taxa de incômodo). Nunca um reclamou por isso.
Em São Luís, vários já reclamaram por percursos bem maiores que isso.

Mas sabe, infelizmente, serviços, de um modo geral deixam a desejar por aí. Não me esqueço do dia em que no AEROPORTO, um turista pediu ao garçom para tirar uma foto do pessoal na mesa. O garçom fala "Procure outra pessoa, porque tenho o que fazer."
Fiquei chocada.
Esse é um exemplo extremo, concordo, mas já passei por outros casos.

Triste para uma cidade que tem um enorme potencial para o turismo. Mas sem bons serviços, ficou pra trás.

Bjos,

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