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Aqui Jaz o meu Centro Histórico

Lembro bem do ano de 1997, quando num city tour pelo Centro Histórico de São Luís, reconheci a minha história nas paredes, balcões sacados, telhados e mirantes dos casarões.

Antes daquele passeio memorável, os prédios eram para mim apenas argamassa e telha, nada mais!

Também em 1997, toda aquela área foi tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO e senti muito orgulho de conhecer a Praia Grande e, principalmente, de toda aquela riqueza pertencer à minha cidade e à minha gente.

Os anos se passaram e hoje, a cada dia que atravesso meu Centro Histórico, tenho vontade de chorar. Tenho pena de tudo aquilo caindo e desmoronando sem uma chuva sequer, e sim, por falta de cuidados por parte de todos. Isso mesmo, todos! Moradores, transeuntes, empresários, proprietários, mendigos, hippies e governos.

Como pode se conviver com tamanha falta de cuidado? Como as pessoas podem continuar passivas a tamanho descaso, meu Deus?

Turisticamente, toda a área do Centro Histórico de São Luis forma o nosso grande cartão postal, nossa “galinha dos ovos de ouro” e atualmente essa região é simplesmente a vergonha local.

São casarões deteriorados, árvores nos tetos, paredes descascadas, esgoto a céu aberto, ruas quebradas, calçadas pela metade, carros passando pelas ruas proibidas (inclusive os da polícia!), becos fedidos, mendigos e hippies deitados nas ruas, marginais nas praças bebendo cachaça, roupas penduradas em varais nas sacadas dando uma “cara” de cortiço, “bocas de fumo” em vários casarões ao longo das ruas e a insegurança correndo “solta” como um ladrão fugitivo.

Sinto muita vergonha de levar convidados até lá, de mostrar o famoso potencial que a cidade tem e que não transforma em poder, fico com medo a cada beco que tenho que dobrar, pois não sei o que vou encontrar: se esgoto, urinas ou fezes.

São incontáveis os turistas que vejo diariamente passeando por lá e reclamando da situação na qual nosso centro se encontra. Penso e não acredito como nossos guias de turismo conseguem ainda, tirar algum suspiro de alegria e felicidade dos visitantes que lhes dão o pão de cada dia, se basta passar pela Praça D. Pedro II que você verá em meio às manhãs ou tardes, lavadores de carro tomando banho ou lavando roupa em cima dos bancos.

Tentar estacionar em frente à Sé para poder acompanhar turistas em algum passeio é missão impossível, pois todos, absolutamente todos os flanelinhas destinam as vagas que seriam para turismo para carros particulares.

Não há o mínimo de civilidade nas pessoas que vivem e trabalham na região. Não há senso de urbanidade e cidadania quando todos estacionam seus carros nas calçadas estreitas do Centro Histórico deixando apenas um espaço ínfimo para que os outros passem.

E os bares e restaurantes? Quase todos de péssima qualidade. Atendimento ruim, garçons despreparados, abordagem de hippies a todo momento (estamos em Woodstock?), programação capenga e investimento zero.

As Praças são subutilizadas, sujas, mal iluminadas e as lojas de artesanato fecham às 18h e não abrem aos sábados à tarde ou mesmo aos domingos. Como se fazer turismo assim? Como vender o Maranhão com esse cenário?

Como acreditar num turismo que tem em sua principal riqueza o reflexo do abandono?

Percebo todas as belezas e riquezas que o Estado possui e também a diversidade cultural de São Luís que sempre nos inebria, mas não posso fechar os olhos para tamanho absurdo.

Restaurar tudo, deixar limpo e organizado é caro, sei disso, mas estamos falando de um recorte da nossa cidade que traduz 400 anos de história, portanto, todo investimento é bem vindo.

Por que os ludovicenses não frequentam mais o Centro Histórico? Por que ninguém mais quer investir no bairro? Por que não há mais vida cultural, logo em um dos bairros mais boêmios da cidade?

Porque faltam investimentos, segurança, entretenimento, amor pela história e resgate de autoestima, afirmo!

Gostaria de ter escrito esse mês um texto na mesma linha de todos os outros, tratando sempre das memórias e das novidades do mundo das viagens e gastronomia, mas desculpem o mau jeito. Para mim, aqui jaz o meu Centro Histórico!

 
 
Jornal Cazumbá, abril 2010

Comentários

zema ribeiro disse…
é urgente ressuscitarmos a praia grande. abraço!

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