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Cofo: tramas e segredos






Carnaúbas, Babaçus, Tucuns, Buritis, Bacabas Juçaras, Anajás, Cocos D’água, Ariris e Marajás são exemplos das palmeiras que estão espalhadas pelo Maranhão.
São árvores altas, ricas e que foram distribuídas pela natureza conforme as variações de solo, regime de chuvas e condições climáticas, influenciando de forma determinante, econômica e culturalmente, a vida do povo maranhense.
Essas palmeiras fazem parte das nossas vidas, assim como nossa alimentação, música e sotaque. Vem delas os frutos, de onde são produzidos doces e sucos deliciosos, a sombra, pra tirar um cochilo depois do almoço (coisa típica de maranhense) e as folhas, cheias de possibilidades.
Como o povo maranhense e inventivo demais, às vezes por natureza e muitas outras, por necessidade, criamos o cofo.
Cofo (lê-se Côfo, com primeira sílaba tônica) é o nome dado, no Maranhão, à cestaria de natureza utilitária feita artesanalmente com as folhas dessas palmeiras.
Utilizado no dia-a-dia para tudo, o cofo é parte integrante de nossas paisagens e também de nossas tradições.

o carvão é ainda muito utilizado os interiores do estado e o cofo serve de "medida". Compra-se "um cofo de carvão"


A exposição “Cofo: tramas e segredos” que está atualmente na “Casa de Nhozinho”, traz para todos, um verdadeiro espetáculo de diversidade. Os curadores Jandir Gonçalves, Weeslem Lima e Wilmara Figueiredo correram o estado para conseguir levantar todos os tipos e modos de uso e é um delícia ver tudo e lembrar as vezes em que você já se deparou com um cofo por aí.

Lembro bem das galinhas caipiras, patos e capotes (galinha d’Angola) transportados de um lado pro outro lá em Humberto de Campos e ainda dos camarões graúdos (tem palavra mais maranhense?) vendidos em portos e também nas estradas.

aqui, o cofo de arco, para transportar animais



Bom mesmo é descobrir também a função decorativa dos cestos e poder ver uns bem bacanas para salas e varandas.
Jeito simples, povo simples e invenções fabulosas. Não é muito bacana isso?


A cultura popular sempre me impressionou e esses pequenos detalhes me deixam muito vaidosa. Vaidosa com a cultura do meu povo e também porque sempre participei disso.

A Casa de Nhozinho é um museu simples, simplório até. Só retrata o cotidiano do povo maranhense e a coisa só muda quando você vê com olhos e alma grandes...

Para decorar, heim?




o cofo só pode ser trançado com palha seca

detalhes do trançado.

 Para lavar roupa no rio, é preciso uma bolsinha para levar sabão, esponja e escova, não?

 Na casa de Vovó era assim: cofos e mais cofos de farinha.
Pela região do Munin, fala-se: "paneiro de farinha"
 Cofo comum na região da baixada

esse é um clássico: para transportar caranguejo. Delícia!


Adquiri o livro que leva o nome da exposição e que também contribuiu para a elaboração desse texto. Muito bacana, bem ilustrativo e de tamanho ótimo.
Acompanhamento durante a visita: Karla Pollyana, estudante de Turismo!
Fotos: euzinha!

A Casa de Nhozinho é na Rua Portugal, Praia Grande. Das 10h às 18h.

Ah, uma informação que não tinha: os Cazumbás ficam com o bumbum bem grandão porque colocam um cofinho amarrado ao quadril cheinho de chocalhos. Aacho que nunca tinha pensado nisso!
Oficinas de cofo, já!!!!

Comentários

Lorena disse…
Bia, a Casa de Nhozinho é o meu xodó...já fui estagiária de lá e acho um local fascinante...Lá retrata um cotidiano muitas vezes esquecido pela modernidade...Quem visitar com disposição pra compreender o dia-a-dia do maranhense ñ se arrependerá...Belo post sobre os cofos!!!
Aline Bezerra disse…
Esse cofo pra prender caranguejo é novo pra mim. Bem interessante. Bjo.
Ana disse…
Interessante o post sobre os cofos. Parabéns!

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