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O trabalho

Desde a minha meninice ouço falar que o trabalho dignifica o homem. Que trabalhar deixa o homem mais feliz e realizado.
Fui acreditando nisso e desde os 18 anos penso fixamente em trabalho.
Já cheguei a trabalhar os três turnos, sete dias por semana por uns três anos. Já tive fadigas crônicas. Já fiquei com falta de ar de tanto estresse. Já desmaiei de não comer. Já dormi em ônibus e passei do ponto de tão cansada. Já chorei de chateação com meus chefes. Já estive bem revoltada com a minha equipe de trabalho. Já desejei um posto mais alto do que eu podia ter. Já tive salários altos e salários baixos. Já trabalhei com pessoas mais criativas que eu. Também já trabalhei com chefes menos criativos e inábeis. Já paguei por seis meses um super prejuízo na empresa por culpa da minha falta de atenção (devia estar com sono, claro!) e poucas vezes me senti reconhecida ou lembro de algum muito obrigada de fato.
Hoje em pleno domingo estou de novo pensando no rumo dessa minha vida.
Como pode alguém passar todos (todos) os finais de semana trabalhando e cheia de afazeres?
Chego na sexta feira em casa e programo meu final de semana em turnos como se estivesse fazendo escala para grupos de trabalho de uma fábrica.
Até o supermercado de hoje programei entre 12h e 14h para não atrapalhar o "expediente"!
O trabalho serve para que você evolua, tenha rendimentos, fique feliz, conheça e se relacione com outras pessoas.
De nada adianta se o trabalho te consome e te deixa pra baixo, deprimida, esgotada.
Ser professora é um ofício muito difícil. Você tem que estar bem, feliz, descansada e com o assunto na ponta da língua. Daria pra fazer isso bem se nos pagassem dignamente. Aí nós só faríamos isso e viveríamos pra estudar, que a propósito, é uma delícia!
Mas não é bem assim.
Poucos professores amigos meus (incluindo a mim) tem nesse ofício o foco de suas vidas. Não dá! Definitivamente há de se complementar a renda.
E vamos arranjando outros trabalhos, outras metas, outros compromissos e nessa roda viva não se sabe mais o que complementa o quê. Só se sabe que se trabalha. E muito.
Tô procurando a tal dignidade que acreditei há tempos e acabo não achando a pobrezinha pelo meu quarto de estudos.
Dignidade por acaso seria receber o dinheiro no final do mês?
Ou talvez trabalhar e ter tempo para descansar, sair com amigos, ficar com a família e usufruir de sua companhia quando bem entender?
Bom domingo e boa semana a todos!

Comentários

Lorena G disse…
Oi Bia, muito bom esse post-desabafo. Infelizmente essa é a realidade dos profºs no Brasil...
Um bjo
Maria disse…
Me identifiquei bastante com o seu depoimento, no sentido de trabalhar demais, usufruir de menos e receber menos ainda...não era bem isso que esperava, principalmente quando entrei na faculdade de Gastronomia e fiz um investimento alto que ainda não me rendeu frutos, mas fazer o que? É a realidade que temos que contornar de alguma forma para não nos tornarmos prisioneiros de uma vida que nunca quisemos ter.

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