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A cidade que se dá aos visitantes

Hoje é um dia muito especial para mim. Tudo que sinto e vivo hoje começou em Paraty há dois anos em meio à FLIP
Em homenagem a esse dia, trago uma das minhas matérias em parceria com Italo Genovesi sobre essa cidade bucólica que traz consigo o dom de apaixonar, envolver e unir as pessoas.


Localizada na divisa dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro e distante cerca de 236 km da capital fluminense, a bucólica cidade de Paraty é praticamente um presente aos visitantes que chegam de regiões diversas em busca de, ao mesmo tempo, tranqüilidade e aventura.
Tombada pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico, em 1958, a cidade, que de acordo com o último censo do IBGE possui uma população de aproximadamente 35 mil habitantes, é considerada o segundo ponto turístico do Estado do Rio de Janeiro e uma das mais procuradas por turistas de todas as regiões do país e do mundo.
Atualmente as autoridades paratienses preparam a candidatura da cidade junto à UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, para que seja agraciada com o título de Patrimônio da Humanidade.

Ascensão e quedaAs ruas de pedra e os casarões coloniais revelam o período áureo da cidade que teve seu apogeu no início do século XVIII e sua decadência na segunda metade no século XIX.
O início da povoação da cidade aconteceu em meados do século XVII, com a construção de uma capela dedicada a São Roque localizada no Morro do Forte. A população começou a se estabelecer nos arredores da capela. Após a concretização desse fato, uma série de rebeliões começam a ser promovidas pelos moradores que pedem a independência da cidade, de Angra dos Reis. Em 1667 é criada a Vila de Nossa Senhora do Remédio de Paraty.
No início do século seguinte foi decretado pelo governador da então capitania do Rio de Janeiro, que toda e qualquer mercadoria, inclusive ouro, que chegasse à colônia deveria ingressar pelo Rio de Janeiro e depois seguir à Paraty. A partir daí iam para Minas Gerais por uma antiga trilha indígena que ficou conhecida como “Caminho do Ouro”.
Em 1710, os portugueses proíbem o transporte de ouro pela estrada de Paraty, o que provoca um descontentamento dos paratienses que, apesar de se rebelarem, não conseguem impedir a construção de uma estrada que liga o Rio de Janeiro a Minas Gerais.
Por não poderem mais contar com a riqueza proveniente do transporte de ouro a vila sofre a diminuição do movimento de pessoas e mercadorias que paulatinamente vai empurrando Paraty à decadência.
As rotas do ouro transformam-se em caminhos para o tráfego de escravos e escoamento da produção de café do Vale do Paraíba, mas com a chegada da via férrea à Barra do Piraí, cidade próxima a Paraty, a produção passa a ser escoada por ali, o que decreta definitivamente a decadência da cidade, por volta de 1864.

RecuperaçãoCom a abertura da estrada Paraty-Cunha em 1950 e após a reconstrução da estrada que ligava Paraty ao Estado de São Paulo, em 1954, a cidade passa a dar sinais de recuperação por meio do interesse turístico.
O movimento de visitantes ganha força, porém, em 1973, com a abertura da BR 101, conhecida como Rodovia Rio-Santos, que passa por várias cidades litorâneas dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
No ano passado a cidade ultrapassou Búzios e agora é a segunda cidade mais visitada do Estado do Rio de Janeiro, recebendo cerca de 400 mil turistas/ano de todas as partes do mundo.

Calendário de eventos variado
Com a economia basicamente voltada para o turismo, Paraty possui um rico calendário anual de festas e eventos que atrai visitantes durante o ano todo. Entre os principais acontecimentos podemos citar a Folia de Reis, o aniversário da cidade, em 28 de fevereiro, a Semana Santa, a Festa Divino Espírito Santo, Festa de Santa Rita, Festa da Pinga e a Festa de Nossa Senhora dos Remédios.
Mas sem dúvida o evento mais procurado, tanto pelos turistas quanto pela imprensa de vários países, e que colocou a cidade na rota internacional da cultura é a FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece normalmente no mês de julho e reúne na cidade os grandes nomes da literatura nacional e mundial.
Criada em 2003 a FLIP já contou com nomes como dos brasileiros Luiz Fernando Veríssimo, Ruy Castro, Ariano Suassuna, Fernando Morais e Ferreira Gullar e os internacionais Paul Auster, Salman, Rushdie, Amós Oz, Tom Stoppard, entre outros.
Além da FLIP que se realiza com palestras, oficinas e debates, paralelamente acontece a Flipinha, especialmente criada para atender o público infantil e ainda a OFF FLIP, que é um circuito paralelo de idéias, em que os novos autores publicam obras, fazem discussão literária e criam novas perspectivas. Um verdadeiro palco de várias manifestações é no que se transforma a cidade nesse período.
Turisticamente, Paraty é uma cidade que atende bem seus visitantes. A oferta hoteleira e de restaurantes é satisfatória durante o ano, ficando pequena somente em períodos de evento, em especial no período da FLIP. Possui desde opções mais caras até outras bem em conta, mas que não deixam o charme paratiense de lado. Há muitos restaurantes temáticos com cozinha internacional elevando a categoria da cidade de charmosa a sofisticada.

Várias opções de passeios
Estar em Paraty é voltar aos tempos do Brasil Colônia e ver de perto casinhas brancas de portas e janelas coloridas. As ruas são de pé-de-moleque e tem um desnível considerável, logo, saltos altos não são nem de longe recomendados. A atmosfera remete a casais apaixonados e os passeios são os mais variados possíveis.
Fazer um passeio de escuna pela Baía de Paraty é imperdível. O azul do mar é de impressionar. Dá pra fazer city tour de charrete, passeios aos alambiques e trekking pelo Caminho do Ouro (estrada construída pelos escravos entre os séculos XVII e XIX, a partir de trilhas dos índios guaianazes). O Caminho do Ouro está bastante preservado e se encontra envolto pela exuberância da Mata Atlântica do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Aproveitar as belas praias da região também é recomendado. Trindade, vila de pescadores muito próxima, por exemplo, também tem um mar azul, faixa de areia e montanhas. Simplesmente lindo! E ainda há cachoeiras, igrejas, quilombos, parques e reservas.
Outras boas opções em Trindade são as praias do Meio, de Fora, Figueiras, do Rancho, Cepilho, Brava, além do conhecido Cachadaço, que é uma piscina natural formada por grandes pedras onde é possível mergulhar tranqüilamente e apreciar as belezas marinhas. O acesso ao local pode ser feito pelo mar ou por uma trilha existente que propicia belas visões do litoral.
É um destino com muitas opções e bem próximo às duas maiores metrópoles do País. Dá pra esticar até lá em sua próxima viagem a um desses dois centros e voltar com a sensação de felicidade plena.

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