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Tudo começa com Santo Antônio

Minha coluna no Cazumbá desse mês
Tudo começa com Santo Antonio, o Santo mais alcoviteiro desse mundo! A partir do dia 13 de junho a cidade entra em clima de festa e sentimos pelas ruas um outro cheiro típico: o cheiro de bombinha...
Passado o dia 13, as festividades juninas estão oficialmente instituídas e, absolutamente, todas as noites temos bons motivos para darmos “uma passadinha” num arraial antes de irmos pra casa.
Comer arroz de cuxá com peixe frito ou torta de camarão é obrigação para quem mora aqui e para quem vem nos visitar, seja de qualquer região do país. As festas juninas não seriam as mesmas sem esse delicioso sabor.
Uma comida típica saboreada ao som de uma toada de boi faz qualquer dia valer a pena, principalmente se o boi for o de sua paixão. Aqui, torcer por um “batalhão de boi” é como ter um time do coração. Por ele se briga se bate e se apanha (por que não?). Eu, por exemplo, vivo confusa em relação a isso. Gosto de ver a massa maiobeira chegar num arraial. Chegam e vão levando tudo pela frente...mas, quando escuto o “Maracanã”, meu coração fica diferente.
Lá vem “Ribamar” e “Chiador” já chega com um vozeirão de dar inveja. Em meio a essa confusão que se transforma meu coração, a Pindoba chega com sua originalidade e lá estou eu toda alegre e sem saber qual é meu batalhão do coração.
Passado alguns dias do início da festança, a espera é pelo ápice do mês de junho: o Dia de São João. Nesse dia (24 de junho), a cidade se reveste em cores berrantes, muitos brilhos e uma musicalidade única. O “hit” do momento já está na boca do povo e os índios do Boi de Morros também estão em muitos registros fotográficos.
Fala-se a essa altura sobre o arraial com a melhor programação, o que foi ruim, o que foi bom e ainda dá para se programar para aquela apresentação do Cacuriá, que é sempre muito concorrida e animada.
A festa está em seu ponto máximo e a saudade de tudo começa a ficar mais forte. Pena não se ver mais tantas fogueiras pra esquentar ainda mais o coração...
No dia 29 de junho, acontece o inesperado: amanhecer na Capela de São Pedro com o sol ardendo no olho e a cidade em pleno feriado. Desse ponto dá pra ver a procissão marítima pelo Rio Bacanga e os pedidos ao Santo protetor dos pescadores saem em meio à ressaca e ao barulho das matracas. Festa bonita, alegre e colorida que dá muito orgulho a todos nós.
Após as comemorações do Dia de São Pedro, chega o momento do país todo se despedir das festanças. E quem disse que em São Luís acabou? Não! Ainda tem dia 30 e a comemoração em homenagem a São Marçal!
Temos um dia de ponto facultativo por aqui e o João Paulo se transforma em pura paixão, suor e ritmo. Nesse dia também comemoramos o dia do Brincante de Bumba-meu-boi e só depois de todos os grupos passarem pela passarela, a missão está cumprida e a dinâmica da vida volta ao seu estágio regular.
O mês passa assim, de mansinho, e nem sentimos seu peso em nossas vidas. Afinal, tanta coisa pra pensar e fazer no mês de junho, não é mesmo?

“Todo mundo canta sua terra e eu também vou cantar a minha. Modéstia parte seu moço minha terra é uma belezinha” (João do Vale / Julinho).

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