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Maranhensidade, aonde você está?

O carnaval do Maranhão tem lá seus encantos. Não tem o glamour do Rio de Janeiro, tampouco o frisson de Salvador, mas tem cá muitos valores.
Dentre os valores mais interessantes, está a divisão grotesca do perfil da folia na Ilha e no interior.
No interior, imperam as festanças nas praças com trios elétricos e bandas imitando o estilo baiano de ser. Nossa, como existem adeptos! A Baixada Maranhense é o principal pólo de folia e desde início de janeiro já não tem mais passagem de ferry boat para aquelas bandas... Já passei carnaval naquele território. Me diverti muito. Muito mesmo! Mais do que durante o carnaval, a confusão é pra voltar: ferrys boats lotados, ônibus entupidos e estrada lenta. Um sufoco!
Na Ilha de Upaon Açú, a folia tem outras facetas. Os bairros se organizam em festa e os blocos tradicionais dominam o sotaque da Ilha. Logo ali ao lado estão o tambor de crioula, os blocos afro e alguns poucos blocos de rua. Tirando o "Crioula" e os afro, que tem caracaterísticas próprias e primam pela simplicidade, as manifestações de um modo geral enfeitam-se de muito brilho, penas e luxo, afinal é carnaval!

Mas embora o carnaval do Maranhão tenha essas diversidades e potencial para agradar qualquer folião, alguma coisa está diferente. Não sei bem o que mudou, mas que mudou, mudou!
Nos interiores os blocos de sujo já não saem mais como antigamente. Já não empolgam os brincantes com sua animação. Ano passado percebi uma certa vergonha dessa nova geração em sair pela rua zoando todo mundo. Que pena, perderam o sentido da festa...

Em São Luís não vejo mais fofões, personagens típicos da nossa festa ao mesmo tempo assutadores e engraçados. No máximo, vi umas figuras na decoração de um Shopping.
Sinto falta da nossa musicalidade nas ruas, do batuque, dos fuzileiros da fuzarca, das ruas sujas de maisena e do espírito carnavelesco em cada um de nós. Tudo era brincadeira, tudo podia ser perdoado...
Sou do tempo das bandas nos bairros, dos bailes nos clubes e das festas na vizinhança... Sinceramente, aonde está nossa maranhensidade? Procuro por onde ando e não vejo mais. Será que foi isso que mudou?

Na sexta-feira passada vi um autêntico tambor de crioula em meio ao Centro Histórico. Fiquei tão emocionada que tirei mais de 50 fotos em questão de poucos minutos. Também gravei as coureiras pungando, gritando e os tocadores de tambor fazendo seu som com maestria. Absolutamente autêntico e lindo e bastou olhar ao redor pra ver como as pessoas se envolvem com o som e saem balançando os ombros. Esse só tem aqui! É Patrimônio imaterial. Será que não está aí o segredo? Apoiar nossas manifestações mais autênticas e tradicionais e transformar isso em marca registrada?
Deu orgulho de ver. Senti até uma certa maranhensidade no ar, mas tive que sair e voltar ao trabalho.
(!?) Nesse carnaval estarei em São Paulo cuidando da vida e matando a saudade de uma parte de mim...
A maranhensidade mesmo, somente dentro do meu coração e nada mais...

P.S. Vou publicar aqui amanhã as fotos e os vídeos já que esqueci minha máquina na casa de mame e desde sexta só chego em casa pra descansar o "corpicho".

Inté,

Comentários

Dandan disse…
Gata, acho que os blocos de sujo não acabaram não... olha minhas fotos do carnaval em Vitória do Mearim lá no meu orkut rsrs Beijos

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