sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Para Ubiratan Teixeira

Digníssimo Ubiratan Teixeira,

Não tenho palavras para expressar a satisfação que me arrebatou quando li seus comentários sobre meu humilde texto no Cazumbá.
Suas críticas construtivas me encheram de alegria e de orgulho. Vindo de Vossa Senhoria, estou me sentindo a última jaçanã da baixada, de tão importante.

Aproveito a oportunidade para dizer que perdoo sua Majestade, já que aqui dentro de mim, corria uma mágoa em relação à sua intolerância com anônimos alunos de graduação. Explico: em meados de 1999, eu parecia ser uma estudante de turismo bem curiosa e precisei fazer um trabalho sobre "História da Arte no Maranhão", que por agora não lembro o título exato, mas sei que você com toda a competência e sabedoria foi o mais indicado pela minha querida professora na época.
Tentei de todas as formas obter sua atenção e o mais bacana de tudo foi ouvir sua voz numa manhã cinza de chuva e imediatamente o tu, tu, tu, tu do telefone após ter me identificado a você. Publicamente declaro que o xinguei, mas na mesma proporção grito aqui e agora que você está completamente perdoado, inclusive com alguns créditos, podendo não mais me dar a mínima por um bom tempo.
Fiz o trabalho sem sua ajuda e acredito ter tirado uma nota razoável. Não tive reprovação naquela disciplina!
Voltando às suas considerações sobre o Jornal Cazumbá e sobre o tema da minha coluna, só temos a agradecer.
Nós da equipe do jornal tentamos de todas as formas fazê-lo a cara do Maranhão, sempre com temas regionais e envolvendo nossos leitores com os acontecimentos turísticos, culturais e ambientais do nosso Estado, porém a Coluna “Ócio, Viagens e Gastronomia” é o elo entre o periódico e os nossos alunos de Turismo e turismólogos de plantão. Por isso os termos em inglês e assuntos tão “globalizados” (no caso, Finger Foods). Em outras oportunidades já falei de assuntos maranhenses e de brasilidades, mas refletindo sobre suas ordens (vindo de você considero ordens expressas!), estou tentando incorporar assuntos mais regionais nos próximos textos.

Agora vou encerrando essas mal traçadas linhas que claro, não estão dignas de sua magnitude como cronista, humanista, teatrólogo, poeta e observador das coisas de São Luís e do Maranhão, mas só o fato de poder escrever para você, já me encheram de pompa. Senti-me verdadeiramente importante. Muito obrigada.

Humildemente,

Beatrice Borges


P.S.: Nascido em São Luís, no dia 14 de outubro de 1931, Ubiratan Teixeira é hoje um dos mais antigos cronistas vivos de São Luís. Com 10 livros publicados, ele revela que é viciado em escrever e que escreve instintivamente. O grande lance da obra de Ubiratan é o primoroso retrato que ele faz da sociedade maranhense, explorada em suas crônicas com uma fina ironia. Genioso e dono de um espírito satírico, Ubiratan Teixeira começou sua carreira profissional, no final da década de 40, como tradutor de telegramas, no Jornal do Povo, cujo editor era o jornalista Reginaldo Telles. Os jornais, nessa época, recebiam, através de telégrafo, o noticiário das agências de notícias do Sul do País. Fonte: Jornal Pequeno

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