segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Farofa de Ovo


O ar frio da geladeira refresca o pensamento e fico imaginando o que posso criar para satisfazer a leve fome após uma noitada de muitas gargalhadas com as meninas num barzinho da cidade. Às 2 da manhã não pode ser qualquer coisa, afinal sempre estou de dieta entre os níveis grave e gravíssimo. Quem me conhece sabe.
No barzinho das gargalhadas, tem sempre um buffet interessantíssimo com as mais variadas opções de antepastos e afins. Gorgonzolas, camemberts, tomates, cebolinhas, picles, patês, pães e embutidos fazem a cabeça dos mais exigentes no paladar. Impossível sentar, pedir uma bebida e não ficar tentado em beliscar um “Roquefort” levemente úmido... Mas o que acontece é que com essa dieta grave, preferi não ceder à tentação e reverter essa possibilidade em mais um balde de long necks sem culpa. Isso sim é uma tentação irresistível.
Mas voltando à leve fome da alvorada, o que inventar as duas da manhã? Talvez um suco ou quem sabe meu velho mate gelado...Não sei...
Eis que à direita, lá estão eles à minha espera...todos branquinhos e obedecendo a ordem natural das coisas: sempre prontos para incrementar algo não necessariamente interessante ou satisfazer uma vontade passageira de matar a fome. São conhecidos como “bife do olhão” pois cumprem muito bem o papel de refeição principal substituindo um suculento bife para os menos endinheirados ou ainda para aqueles não muito afeiçoados à cozinha, “patchá” pela praticidade e rapidez em fazê-lo, disco voador pelo formato após frito, enfim... se não fosse tão popular não exisitiriam tantas denominações...
Um ovo frito com margarina (com óleo não fica bom, garanto!), uma pitada de sal, mexido com tomate, cebola e pimentão bem picadinhos e finalizado com uma boa farinha, é uma solução infalível para qualquer das horas. Pare para imaginar: duas da manhã, a cabeça levemente feita com as dezoito long necks da noite (dessas, só seis sem culpa!), uma leve fome pré-ressaca e uma dieta nível grave. Que dúvida cruel: invento uma farofa de ovo ou durmo assim, com fome seguindo minha alimentação de líquidos???? Melhor dar uma volta ali no quarto para desopilar a cabeça e esquecer tudo isso. Ao dormir, passa a fome mesmo...
No quarto, abro o guarda-roupa para olhar algo que não sei o que é querendo lembrar de fatos que me façam esquecer a danada da farofa de ovo, mas o ponteiro do relógio vai e vem e nada de esquecer a farofa nem tampouco a fome.
Reflexões pós-álcool me dizem que não há problema algum em comer uma farofa às 2 da manhã, afinal, ninguém irá perceber a ingestão de algumas calorias a mais, mas ao trocar a roupa de festa pelo velho baby dol noturno, olho no espelho e reforço a necessidade de uma dieta nível grave! Ai, ai, ai, agora acabo de ver uma sobra de arroz, um desfiado de frango e ainda umas salsichas. Meus pensamentos agora transpassam a simples farofa descrita acima. Já penso em tudo isso junto formando um prato muito conhecido por bebedores oficiais: o R.O.
Tudo bem gente! Assumo que não resisti e ingeri perto de 1000 calorias...Algo aproximado à metade do que necessito ao dia...
Mas quem resiste a boa e velha farofa de ovo? Principalmente quando ela ganha outros ingredientes e muda para status de nova gastronomia, rsrsrs? O resto de ontem (R.O) pode sim, ser uma boa alternativa para as horas de desespero e insensatez, mas afinal quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. Dormi como nunca.
Manhã seguinte: 01 hora de esteira!!!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ah, o ócio...


Já disse Dumazedier em 1976: "O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais."
Vivemos num mundinho de conceitos. Temos conceitos para tudo..até para dizer o que é bom fazer quando não se está afim de fazer. Pode uma coisa dessas? Conceitos à parte, sorte mesmo tiveram os gregos e romanos quando a cada cálice de vinho, brindavam ao som de um "viva o ócio criativo". Tenho certeza de que metade das frases de efeito que lemos hoje desse povo intelectual de Roma e Grécia, foram ditas em meio a um bebedeira sem fim...
Enquanto isso, no mundo real e atual, o ócio é cada vez mais um sonho distante... a perseguição atual de muita gente. Ter o que fazer e não fazer! Tem coisa mais fascinante que isso? Estar atolada de compromissos e simplesmente mandar tudo para a puta que o pariu e tomar uma cerveja bem gelada num boteco sem muita pose??? Pura poesia...
Bom também é poder desfrutar das coisas simples da vida. Reencontrar um velho amigo, dar um abração bem apertado em alguém especial, ler um bom livro do Veríssimo, tomar um gelado copo de chá mate, ouvir aquela música que ha tempos não se ouve, mas que quando toca, bate aquela saudade daquele cretino que te traiu tempos atrás... nossa, o ócio... capaz de tudo e nada.
Zeca Baleiro ja cantarolou e gravou: "Eu despedi o meu patrão desde o meu primeiro emprego, trabalhar não quero não, eu pago pelo meu sossego"
Feriado de três dias no Maranhão: sexta pela Pátria, sábado por São Luís (com Daniela Mercury, durma com um barulho desses??) e domingo pela mente! Haja programas, colchões e criatividade... Ócio criativo, minha nova bandeira de vida. Nada de responsabilidades e contas a pagar. Quer dizer: preciso sim, viajar, brincar, não dormir, fazer amor e resgatar quem sabe uma história de amor pedida nas entrelinhas da vida... ah, e mandar mensagens de texto do celular para os amigos íntimos...a propósito: acho até carinhoso essa estória de torpedo... é se estar junto e separado... ah a modernidade...
E viva o não fazer e viva o ter que fazer! Ócio, viagens e Gastronomia, esse é o lema!


Até mais...