terça-feira, 27 de novembro de 2007

(Im)perfeições.



Às meninas *




Estive pensando muito no valor das pessoas e o que elas representam pra mim.
É! Realmente muitas delas eu gostaria de perpetuar em minha vida. Algumas por valores puramente subjetivos, como gostar de estar junto, serem inteligentes, terem bons papos. Outras existe certa objetividade nas relações, como por exemplo, convivência diária e por isso você acaba trazendo pra si, caronas de um ponto a outro, relações comerciais e de trabalho ou por gostar gratuito.
Mas o mais interessante de tudo, é que existem aquelas que somam tudo isso e ainda acrescentam muito mais... Como as pessoas são ricas, se vistas por esse prisma... Como elas podem contribuir dia-a-dia com um pedacinho de si na vida do outro... Não, não estou falando de família, aquelas pessoas que você começa a conhecer quando nasce e algumas, engole a vida toda sem a menor chance de escolha. Estou falando de amizade, esse sentimento que envolve pessoas que se encontram por aí sem a menor obrigação de darem certo e acabam dando... Amizade é algo assim.
Nada de romantismo para traduzir como é bom ter um amigo. Isso já foi falado em verso e prosa pelos mais ilustres poetas e compositores. Talvez falasse de forma bem romântica há uns dez anos, quando eu ainda acreditava que poderia ter anos melhores que aqueles, mas hoje a amizade pra mim se traduz real, factível e imperfeita e é por isso que vale a pena cada segundo e cada imperfeição.
“As meninas*” são assim... imperfeitas**. Mas o bom nessa vida é assumir as imperfeições e o melhor: aceitá-las entendendo que somos passíveis de erros e cheias de defeitos. Um dia desses percebemos numa mesa de bar o quanto somos diferentes! Existirá imperfeição maior para um quarteto onde cada uma toma uma coca-cola diferente? Todo garçom padece!
- Por favor, uma coca zero!
- Pra mim, uma light!
- Pra mim, por favor uma light lemon!
- Ah, e pra mim, traz uma normal por gentileza!
Já me acostumei a trocar as posições dos refrigerantes quando eles chegam, afinal não há ser humano que consiga numa primeira olhada associar cada uma de nós a um tipo de coca-cola diferente. Dentro de uma perspectiva de amizade e imperfeições, essa diferença se traduz em pessoas completamente diferentes, mas que tem muita coisa em comum e que tem interesse em aprender, ensinar e partilhar com o outro. Vejamos:

A coca light desse quarteto é claro, muito preocupada com a aparência! Ela não admite que as pessoas pensem errado sobre ela... nossa! Ela pode ficar muito mal se pensarem algo que ela não é ou não fez... Se desapontarem-na, estão perdidos para sempre. Nada de conversas ou beijinhos de boa noite. Basta um pequeno aceno com os olhos e um franzidinho na testa, quiçá uma boa virada de cabeça evitando os cumprimentos, já que não é muito afeita a perdões. Mas pessoas assim têm o lema “ame ou deixe” na mesma proporção. Se ela gostar, ah! Aí é outra coisa... ela gosta mesmo! Já dividimos os mesmos sonhos e as mesmas mesas de cerveja. Ensinou-me a sorrir mais alto ainda, a falar ainda mais e acredita que um mundo melhor é possível. Intensa é a palavra dela.

A coca light lemon, essa é uma contradição! Pede com limão só para ser diferente... fica em dúvida sempre. No fundo gosta de decidir tudo, mas dá uma chance pros outros. É assim pra escolher um bar e uma pizzaria, por exemplo. Virada, inteligente e rápida, tem uma nova idéia a cada minuto e costuma não terminá-las. Tem uma mente fálica e é dela o neologismo “carmenina”, substantivo coletivo criado para traduzir de uma só vez os nossos nomes obrigatoriamente juntos (exemplo: - “Mãe, vou sair carmenina”!). Me deu uma grande prova de companheirismo e amizade no último mês. Tem uma paciência curtíssima. Bebe e fuma às vezes. Minha tradução de amizade: Imprevisível!

Para equilibrar as duas cocas light, tem a coca normal. Já a conhecia antes mesmo de encontrá-la(?!!?). E foi a primeira grande surpresa da minha fase adulta. Ah, é isso mesmo. Tenho certeza que já a conhecia antes. Não pode existir tamanha afinidade assim em um primeiro encontro! Quer dizer, senti isso há pouco com outra pessoa, mas aí as coisas vão pra lá da amizade, rsrs!
Dócil quando tem que ser, enérgica também quando tem que ser, é o equilíbrio perfeito nessa relação do quarteto. É bem verdade, que é muito diferente de mim: não gosta de internet, de msn, de trilhas, de brilhos, de muitas leituras, das minhas músicas, nunca leria uma literatura de cordel, mas não é que damos certo???? Passamos perrengues e folias e isso não esquecerei jamais, inclusive por que me ensinou que a pontualidade é uma virtude. Pena eu não ter aprendido... Seu lema nessa tradução: Equilíbrio.

E por último, tem a coca zero, que dizem as más línguas, é a minha cara! Dizem também que baixa a pressão! Mas como sou o exagero dos exageros, nem liguei para a pressão, somente para a novidade e para as promessas de não conter açúcar nem gordura!!
Inversamente proporcional à coca zero que é a mais nova do grupo das cocas, sou a mais velha do quarteto e já fui mãe algumas vezes, embora completamente esquecida e atrapalhada. Sou a única a marcar três compromissos ao mesmo tempo sem a menor culpa. Essa mania de não dizer “não” tem relação com a minha vontade de ocupar vários lugares no espaço (contradizendo a velha e imutável lei da física), só pode ser... Como me traduzir? Imperfeita mesmo!

O engraçado de tudo isso é que embora tão diferentes, temos a mesma essência!!! Tomamos muita coca-cola, adoramos a vida, somos lindas, inteligentes, independentes, respeitamos as diferenças, somos do bem e sempre nos destacamos nas empreitadas que nos propomos a fazer. Por que será que no meio de tantos cursos e universidades, escolhemos os mesmos? Por que dentre 35 colegas de turma, sobramos nós? Basta ver uma e esticar um pouquinho o pescoço pra ver mais uma e mais uma... mesmo que de duas em duas o quarteto se represente, já que temos vidas com horários totalmente adversos... Nossas famílias são tão diferentes quanto nós, mas já conhecemos o suficiente para chegarmos numa festa sem rodeios. Amigo como eu falei em algum momento desse texto, é alguém que você encontra e dá certo. Para mim, ter encontrado vocês foi um presente, um presente divino. Cada uma ao seu modo e com suas (im)perfeições contribui para minha vida ser mais feliz e plena.
Não tenho palavras que traduzam a representatividade de vocês na pessoa que sou e ainda quero me transformar. Aproveito para agradecer por tudo e dizer que o meu objetivo é ser alguém muito melhor e isso, só conseguirei bebendo um pouquinho de cada coca!
-Hein? Como posso traduzir nossa amizade? Perfeitamente imperfeita!

* um quarteto formado por quatro amigas (Vick, Nina, Rachel e Bárbara) que se encontraram por acaso na faculdade há 10 anos e que depois de todo esse tempo continuam amigas, encontram-se constantemente, mas entendem que são muito diferentes e que tem uma amizade perfeita cheia de defeitos.
Aqui, relata-se a visão de Vick, uma das meninas.


** Responsabilidade pessoal e intransferível.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007



O vento, o som do mar e das ondas quebrando na praia rompendo o silêncio deixado pelos guarás após seu repouso que colore o mangue. Coqueiros esparsos por entre o mangue, jaz coberto pelas dunas que não se acomodam com a mesmice e que sempre se apresentam com outros desenhos, formas e contornos, abrigando em suas entranhas, água limpa, fresca e doce. Por todos os lados, onde o início da caminhada se confunde com o fim, as cenas se alternam entre mangue, dunas, lagoas e mar. Lugar ermo, inóspito, sem figuras humanizadas e com tanta luz? Seria sim, se lá longe não se avistasse o pescador com sua rede, num movimento tranqüilo da retirada do camarão que sustentará sua família, integrante da comunidade pesqueira que por ali vive... onde o tempo passa, somente passa...Não se sabe se, devagar ou rápido! É só o tempo para cada coisa. Esse cenário que já foi cantado e contado em verso e prosa e que inspira filmes de piratas é chamado Ilha dos Lençóis. Ilha de encanto, descanso, sol, mar, mangue, dunas e do Rei Sebastião...
As Expedicionárias









quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Lá na Raposa...


Viajar tem dessas coisas... passeando como quem não quer nada pelos arredores de São Luís, achei essa placa inusitada... Já ouvi tanto por aí que falamos e escrevemos o melhor português do Brasil... mas vejam essa....

Lembrei-me do dialeto usado na internet... tomara que daqui ha alguns anos eu não tenha que passar por uma placa e ler: "krus klientes: vc q paxa p aki, vja o q temus.... "


Bati e perguntei os preços: não tinha óleo de copaíba... a garrafada do "certão" tava em falta e o mel tava caro!!!! Deixa pra próxima...

Até mais,

domingo, 7 de outubro de 2007

Terra de Preto é logo ali...


Pega ônibus, desce de ônibus, pára pra fotos, grita nome a nome do grupo, organiza sub-grupos, sobe em Ferry Boat, toma café em movimento, desce de Ferry Boat, vai ao banheiro, sobe em ônibus, vai em pé, empurra daqui, é empurrado dali, o tempo passa e nada de chegar...
Alguém grita da frente “Ramal do pote chegou”. Arruma mochila, pede licença, briga de novo, confere gente, salta do ônibus, coloca mochila em toyota e começa andar...
Tira foto, coloca conversa em dia, chama galera, grita palavras de ordem e escuta caixeiras tocando e pedindo jóias... Caminhando e cantando...
Faz acomodação, meninos ali, meninas aqui, bons de cerva no corredor pra não atrapalhar ninguém, comida na cozinha e D.Maria toma conta, Bar ao lado, Igreja também...

Equipe do 6º conversa com preto ali, outra equipe do 6º conversa acolá, eu tomo um cervejinha pra esfriar, alunos descobrem o que é viajar...

Graça dar o ar de sua graça, Lacerda fala da tia doida, Cesar conhece sua turma, Winayara sorri e Fernandinha observa...

Eleana tira foto, Cristiano e Luiza cochicham, Nilton e Solange dançam, Suzane acha tudo uma loucura... Saúde!!!

Os tambores esquentam, a comunidade se reúne, alunos curiosos se amontoam, batom vermelho pra coreira, blusa de chita pra tocador. Eu e Graça pura emoção...

Pensa que é pouco? Ainda tem reggae de responsa no bar do Velho. Aumenta o som, dança colado, rodopia pra cá, faz um zigue-zague pra lá e desce cerveja. Gargalhadas...

Tem desfile de pijama e quem mal fala se revelou e quem fala muito se calou...

Acorda meu povo, que é dia de branco!!!!

A cerveja passa de R$ 2,50 para R$ 2,75, cremosinho que em São Luís é R$0,25 aqui é R$0,75, o tambor não cobrava nada, mas cobrou, o povo que não sabia o que era negritude descobriu, quem estava estressado relaxou, quem tem menino em casa voltou, quem gostou da experiência ficou.

Sr. Velho agradeceu, o centro de cerâmica gostou, a comunidade aprovou e o tempo findou! Vamos lá meu povo, hora de desarmar barraco: arruma tudo, recolhe lixo, faz vaquinha, acabou a água, tira foto, varre quarto, procura sapato, olha a ressaca que lá vem a estrada.

Sobe em toyota, canta, grita, faz chamada e dá partida.

Divide em grupos, esconde dois e aparece um. O tempo passa, mas lá vem o ônibus. Chama o povo, conversa com motorista e empurra mais um.

Fica em pé, tira mochila, aperta um pouco que dá todo mundo. Cuidado com meu chapéu!

Tem escritor dentro do ônibus, tem papo bom, mas vontade de chegar em casa.

Desceu de novo, compra camarão, toma água de novo e vê o movimento da baixada maranhense num domingo. Tem gente, guará e pôr do sol.

Chega em casa, toma banho e dorme!!!!

Itamatatiua, Alcântara, Ma - dias 29 e 30 de setembro de 2007.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Farofa de Ovo


O ar frio da geladeira refresca o pensamento e fico imaginando o que posso criar para satisfazer a leve fome após uma noitada de muitas gargalhadas com as meninas num barzinho da cidade. Às 2 da manhã não pode ser qualquer coisa, afinal sempre estou de dieta entre os níveis grave e gravíssimo. Quem me conhece sabe.
No barzinho das gargalhadas, tem sempre um buffet interessantíssimo com as mais variadas opções de antepastos e afins. Gorgonzolas, camemberts, tomates, cebolinhas, picles, patês, pães e embutidos fazem a cabeça dos mais exigentes no paladar. Impossível sentar, pedir uma bebida e não ficar tentado em beliscar um “Roquefort” levemente úmido... Mas o que acontece é que com essa dieta grave, preferi não ceder à tentação e reverter essa possibilidade em mais um balde de long necks sem culpa. Isso sim é uma tentação irresistível.
Mas voltando à leve fome da alvorada, o que inventar as duas da manhã? Talvez um suco ou quem sabe meu velho mate gelado...Não sei...
Eis que à direita, lá estão eles à minha espera...todos branquinhos e obedecendo a ordem natural das coisas: sempre prontos para incrementar algo não necessariamente interessante ou satisfazer uma vontade passageira de matar a fome. São conhecidos como “bife do olhão” pois cumprem muito bem o papel de refeição principal substituindo um suculento bife para os menos endinheirados ou ainda para aqueles não muito afeiçoados à cozinha, “patchá” pela praticidade e rapidez em fazê-lo, disco voador pelo formato após frito, enfim... se não fosse tão popular não exisitiriam tantas denominações...
Um ovo frito com margarina (com óleo não fica bom, garanto!), uma pitada de sal, mexido com tomate, cebola e pimentão bem picadinhos e finalizado com uma boa farinha, é uma solução infalível para qualquer das horas. Pare para imaginar: duas da manhã, a cabeça levemente feita com as dezoito long necks da noite (dessas, só seis sem culpa!), uma leve fome pré-ressaca e uma dieta nível grave. Que dúvida cruel: invento uma farofa de ovo ou durmo assim, com fome seguindo minha alimentação de líquidos???? Melhor dar uma volta ali no quarto para desopilar a cabeça e esquecer tudo isso. Ao dormir, passa a fome mesmo...
No quarto, abro o guarda-roupa para olhar algo que não sei o que é querendo lembrar de fatos que me façam esquecer a danada da farofa de ovo, mas o ponteiro do relógio vai e vem e nada de esquecer a farofa nem tampouco a fome.
Reflexões pós-álcool me dizem que não há problema algum em comer uma farofa às 2 da manhã, afinal, ninguém irá perceber a ingestão de algumas calorias a mais, mas ao trocar a roupa de festa pelo velho baby dol noturno, olho no espelho e reforço a necessidade de uma dieta nível grave! Ai, ai, ai, agora acabo de ver uma sobra de arroz, um desfiado de frango e ainda umas salsichas. Meus pensamentos agora transpassam a simples farofa descrita acima. Já penso em tudo isso junto formando um prato muito conhecido por bebedores oficiais: o R.O.
Tudo bem gente! Assumo que não resisti e ingeri perto de 1000 calorias...Algo aproximado à metade do que necessito ao dia...
Mas quem resiste a boa e velha farofa de ovo? Principalmente quando ela ganha outros ingredientes e muda para status de nova gastronomia, rsrsrs? O resto de ontem (R.O) pode sim, ser uma boa alternativa para as horas de desespero e insensatez, mas afinal quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra. Dormi como nunca.
Manhã seguinte: 01 hora de esteira!!!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ah, o ócio...


Já disse Dumazedier em 1976: "O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais."
Vivemos num mundinho de conceitos. Temos conceitos para tudo..até para dizer o que é bom fazer quando não se está afim de fazer. Pode uma coisa dessas? Conceitos à parte, sorte mesmo tiveram os gregos e romanos quando a cada cálice de vinho, brindavam ao som de um "viva o ócio criativo". Tenho certeza de que metade das frases de efeito que lemos hoje desse povo intelectual de Roma e Grécia, foram ditas em meio a um bebedeira sem fim...
Enquanto isso, no mundo real e atual, o ócio é cada vez mais um sonho distante... a perseguição atual de muita gente. Ter o que fazer e não fazer! Tem coisa mais fascinante que isso? Estar atolada de compromissos e simplesmente mandar tudo para a puta que o pariu e tomar uma cerveja bem gelada num boteco sem muita pose??? Pura poesia...
Bom também é poder desfrutar das coisas simples da vida. Reencontrar um velho amigo, dar um abração bem apertado em alguém especial, ler um bom livro do Veríssimo, tomar um gelado copo de chá mate, ouvir aquela música que ha tempos não se ouve, mas que quando toca, bate aquela saudade daquele cretino que te traiu tempos atrás... nossa, o ócio... capaz de tudo e nada.
Zeca Baleiro ja cantarolou e gravou: "Eu despedi o meu patrão desde o meu primeiro emprego, trabalhar não quero não, eu pago pelo meu sossego"
Feriado de três dias no Maranhão: sexta pela Pátria, sábado por São Luís (com Daniela Mercury, durma com um barulho desses??) e domingo pela mente! Haja programas, colchões e criatividade... Ócio criativo, minha nova bandeira de vida. Nada de responsabilidades e contas a pagar. Quer dizer: preciso sim, viajar, brincar, não dormir, fazer amor e resgatar quem sabe uma história de amor pedida nas entrelinhas da vida... ah, e mandar mensagens de texto do celular para os amigos íntimos...a propósito: acho até carinhoso essa estória de torpedo... é se estar junto e separado... ah a modernidade...
E viva o não fazer e viva o ter que fazer! Ócio, viagens e Gastronomia, esse é o lema!


Até mais...